Carlos Bastos: meio século de jornalismo, passando pelo AI-5

Foto: Luís Augusto Fischer

“Sempre separei a atuação jornalística das convicções pessoais, partidárias e futebolísticas”

Por Juarez Fonseca e Luís Augusto Fischer (Colaborou: Cláudia Laitano)

A trajetória de Carlos Henrique Esquivel Bastos atravessa a história do jornalismo brasileiro dos últimos 60 anos – eu ia escrever “jornalismo gaúcho” e me dei conta de que essa costumeira redução vai contra nós. Nossa imprensa tem a mania de enfatizar como “gaúchos” personagens que são figuras nacionais, como “o escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo”, ou “o compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues”, ou “o diretor gaúcho Jorge Furtado”. Por outro lado, escreve simplesmente “Rubem Fonseca”, ou “Bruna Lombardi”, ou “Portinari”, sem identificar suas procedências. Chama-se a isso de provincianismo. Exceto no breve período em que foi correspondente da RBS em Brasília, na época da Constituinte, Carlos Bastos nunca atuou em outra cidade que não Porto Alegre. Mas ante esta entrevista, o leitor poderá acusá-lo de outras coisas, menos de provinciano. 

O olhar de Bastos sempre foi (e é) o de um gaúcho brasileiro, acompanhando daqui interesses/situações que tiveram repercussão nacional. Aos 85 anos, este grande jornalista tem muito para contar e com reluzente memória. Durante a conversa, em uma mesa do também histórico restaurante Copacabana, ora fechado pela pandemia, Bastos desconversa quando confrontado com a ideia de escrever e publicar suas memórias. Se contar tudo, acha que poderá constranger muita gente – e se fosse escrever, seria para contar tudo. 

Tive a sorte de trabalhar com o Bastos durante um tempo, em Zero Hora. Um chefe sempre propositivo, nunca impositivo. Mesmo tendo alguma intimidade com seus próprios chefes, como se lerá, ninguém dos tantos que trabalharam com ele poderá acusá-lo de “patronal”. E outra: nunca se aposentou! Nascido em Passo Fundo, Carlos Henrique Esquivel Bastos é uma lenda do jornalismo brasileiro feito no Rio Grande do Sul. (Texto de Juarez Fonseca)

A entrevista foi realizada em 12 de dezembro de 2019, no restaurante Copacabana.

Foto: Luís Augusto Fischer

Parêntese – Fala um pouco das tuas origens e de como te interessaste pelo jornalismo.

Carlos Bastos – Nasci em Passo Fundo, de pai brasileiro e mãe argentina, e sempre recebi muita influência da Argentina. Tinha uma tia que vinha de lá com os filhos e passava as férias escolares conosco. Falava-se espanhol na nossa casa, e isso acabou tendo influência na minha relação com o jornalismo. Eu lia os jornais de Passo Fundo que o meu pai assinava, lia o Diário de Notícias e o Correio do Povo, de Porto Alegre, e também ouvia a Rádio Nacional. No tempo da guerra, eu com oito ou nove anos, acompanhava as notícias pelo Repórter Esso, com o Heron Domingues, e também pelas rádios argentinas. Ouvia a rádio Splendida, a Belgrano… 

P – Passo Fundo tinha um ambiente jornalístico surpreendentemente desenvolvido, não?

CB – Tinha três jornais diários: o Diário da Manhã, do Túlio Fontoura, o Nacional, do pai do Tarso de Castro, Múcio de Castro, e o Diário da Tarde, que era do Danilo de Quadros, sogro do chargista Marco Aurélio.

P – Fizeste a escola toda lá?

CB – Estudei em Passo Fundo, no Instituto Educacional Metodista, do jardim de infância até o primeiro ano do Científico. Em 1951, mudei para Porto Alegre e fui estudar no Colégio Júlio de Castilhos. Lembro que teve uma eleição do grêmio do Julinho em que o Flávio Tavares era candidato único, e eu fiz um movimento na minha turma para votar em branco, em protesto. Conhecia pouco o Flávio Tavares, que depois seria um dos melhores amigos que tive na vida. Depois fui para o Colégio Protásio Alves, mas parei de estudar e acabei não completando o Científico. Meu pai me mandou trabalhar e fui servir o Exército, onde tive grande influência do José Silveira, jornalista que trabalhava no semanário Hoje, do Toscano Barbosa.

P – Na época do suicídio de Getúlio Vargas estavas no Exército?

CB – Tinha recém saído. Estava em casa, de manhã, quando minha mãe me avisou. Ela não queria que eu saísse, mas dei a desculpa de que tinha que ir a algum lugar e fui ver o movimento no Centro. Minha primeira participação política foi em um comício do Getúlio Vargas em Passo Fundo, quando eu era menino, em 1950. Fui de carona em uma caminhonete até o aeroporto, que era distante 14 quilômetros da cidade, para receber o Getúlio. Assisti também a um pré-comício do Getúlio na casa do Daniel Dipp, um líder trabalhista lá de Passo Fundo, pai do Airton Dipp. Quando saí do Exército fui trabalhar no Clarim, um jornal que o Brizola havia montado. Não era um jornal partidário, mas dava cobertura para a campanha dele para prefeito de Porto Alegre. Durou um ano.

P – Como foi essa tua decisão de ir trabalhar em jornal? 

CB – Isso foi em 1955. Eu tinha essa convivência com a informação, desde pequeno queria ser jornalista. O José Silveira me estimulou muito também. O Clarim era um jornal financiado pelo Brizola. Tinha um noticiário normal, fazia enfrentamento com a Folha da Tarde. Durou apenas um ano, mas revelou o Sampaulo como chargista. Foi no Clarim que o Sampaulo fez a famosa charge em que se via Walter Peracchi Barcelos apresentando Porto Alegre para o candidato Euclides Triches, que se mudara para a Capital fazia poucos meses, depois de ter sido prefeito de Caxias do Sul. 

P – “Vou mostrar minha cidade pro Triches: isso aqui é tal coisa…”

P – Isso! Da esquina da Rua da Praia com a Borges de Medeiros, ele dizia “lá é o Viaduto Borges de Medeiros, aqui é isso, lá é a Casa Masson, o Mercado Público”…

P – Uma charge arrasadora…

CB – Foi arrasadora. O fotógrafo Erno Schneider também começou no Clarim. É o famoso fotógrafo das pernas trocadas do Jânio Quadros, que lhe valeu o Prêmio Esso de Fotografia daquele ano (1962). Ele era muito talentoso – e como todo goleiro bom, além de talento, tinha sorte. Logo que chegou ao Rio de Janeiro, foi trabalhar no Diário da Noite. Um dia, acompanhou um repórter em entrevista com o diretor do presídio Frei Caneca. Chegou lá, bateu a foto e falou para o repórter que ia esperar o final da entrevista no barzinho em frente ao presídio, tomando uma ceva. Quando vê, levanta a tampa do esgoto e sai uma pessoa. Ele bate a foto, e sai outra. Ele bate a foto, e mais outra. Fugiram 16 presidiários por ali, e ele tinha as fotos de todos. O Erno era incrível, e foi criado no Clarim também. Outro que saiu de lá foi o Léo Schlafman, que editou por mais de 15 anos o caderno Ideias do Jornal do Brasil.

Foto: Luís Augusto Fischer

P – O Brizola costumava frequentar a redação?

CB – Não, ele quase não ia à redação. Conheci muito superficialmente o Brizola. Comecei editando uma página sindical e depois tive uma coluna chamada Porta de Fábrica, mas o Brizola se elegeu em outubro e fechou o Clarim em fevereiro. Tentei entrar no jornal A Hora, mas não tinha vaga na redação naquele momento e acabei indo trabalhar como inspetor de circulação. Fiquei um ano viajando pelo Interior nessa função. Foi uma experiência muito boa porque conheci quase todo o Estado. Quando surgiu uma vaga na redação eu fui. Ali trabalhei como repórter policial, repórter de futebol, editor de polícia, editor de esportes. Foi lá também que conheci o Lauro Schirmer, com quem tive ligação para o resto da vida. O Ibsen Pinheiro ainda não estava lá. Quem levou o Ibsen e o Flávio Tavares para A Hora fui eu. Depois fui para a Rádio Gaúcha, onde trabalhei com o saudoso João Aveline, uma das melhores pessoas que conheci na vida. O Aveline era o chefe do jornalismo da Gaúcha e eu trabalhava como noticiarista. Isso foi em 1959. Os redatores eram o Índio Vargas, o Ivo Correia Pires, o Paulo Totti, o João Souza, o João Ferreira, essa era a turma que trabalhava lá. Na Gaúcha, substituí um repórter em um programa que gravava os principais pronunciamentos da Assembleia. Aí tem uma cena antológica: eu tinha dificuldade de falar no microfone então escrevia o texto pra ler. Não falava de improviso. O Aveline dizia que eu não precisava escrever: “Um dia vou te tirar esse papel”. E um dia ele passou por trás de mim e tirou. Falei mais 20 segundos e parei. Então a rádio ficou fora do ar, porque era ao vivo. O Aveline, do outro lado do vidro, gritava: “Fala, filho da puta! Fala, irresponsável!”. E eu, quieto. Aí ele veio correndo, trouxe o papel e eu continuei falando. Foi um vexame. (risos)

P – O Aveline já era do Partidão (Partido Comunista Brasileiro) nessa época?

CB – Ele era secretário do Partido Comunista. Eu nunca fui filiado. O Aveline dizia que eu era “simpatizante”, mas nem ao PTB, que me era simpático, me filiei. O único partido ao qual me filiei foi o PDT. Já depois da ditadura, na volta do Brizola.

P – Conta um pouco da tua experiência durante o movimento da Legalidade [1961]. 

CB – Foi um episódio muito forte na minha vida. Até então, eu era um homem de esquerda, mas não tinha partido. O Aveline dizia que eu era a “linha auxiliar” do PCB, porque quando precisava cumprir alguma tarefa me botava na jogada, por causa da nossa ligação pessoal. Mas foi durante a Legalidade que aflorou o brizolismo em mim. O Brizola ali foi insuperável. Pensou tudo, fez tudo, foi incrível. Soube da renúncia do Jânio Quadros pelo pai do Norberto Silveira, colega nosso na Última Hora, que era comunista e presidente do Instituto Brasil-União Soviética. Estava atravessando a praça da Alfândega indo para a redação, que era em cima do Cinema Rex, e o Silveira chega e diz: “Ô Bastos, tu tá indo pra redação?” Digo: “Tô”. E ele: “Então acelera o passo, porque o Jânio renunciou”. Enquanto seguia fiquei pensando “como esses comunistas são agitadores. Como é que o Jânio ia renunciar? Foi vereador, deputado, prefeito de São Paulo, governador. Tinha tudo pra ser Presidente da República e sete meses depois ia renunciar? Aí, quando entro na redação, tava uma bagunça. O Jânio tinha renunciado! Durante a Legalidade fiquei todo o tempo cobrindo o Palácio Piratini. Fizemos edições extras e coisa e tal.

P – Como era a rotina por lá?

CB – A campanha da Legalidade começou no dia 25 de agosto, quando o Brizola soube da renúncia do Jânio. Fiquei homiziado no Palácio a partir do dia 26 de agosto. O Jango chegou no dia 2 de setembro, e eu fiquei até o dia 4. No segundo dia em que o Jango estava por lá, comecei a ir pra casa e ficar menos no Palácio. Até então eu ia pra casa só pra tomar banho e mudar de roupa. Comia o sopão lá no Palácio e dormia nas poltronas. Foi mais de uma semana, uns oito dias.

P – E tu fazendo teu trabalho jornalístico?

CB – Sim, mas aí eu tenho que fazer uma confissão pra vocês, já que é um depoimento. Toda a minha vida eu tive sempre um galardão: conseguir separar a atuação jornalística das convicções pessoais, partidárias e futebolísticas. Sou gremista doente e fui editor de Esportes. A única vez em que misturei as coisas, sendo militante e jornalista, foi no período da Legalidade. Ali não deu pra separar.

P – Assististe ao filme lançado no ano passado sobre a Legalidade [Legalidade, 2018, Prana Filmes]?

CB – Vi, muito bom. Tem gente criticando, o próprio Flávio Tavares fez críticas. Mas acho que foram muito felizes. Aquele ambiente que eu vi, ninguém me contou, eles conseguiram reproduzir. Tanto nas cenas que refizeram agora, quanto nas que recuperaram dos arquivos.

P – Como era ver, de dentro do Palácio, aquelas barricadas, as metralhadoras… Tu vias a movimentação militar?

CB – Aquilo foi impressionante. E naquela hora da ameaça do bombardeio, tremi a perna também. Sou humano.

P – Quem estava contigo no Palácio Piratini?

CB – O Carlos Contursi, o Hamilton Chaves, o Florianinho Soares, que era redator no [Gabinete de Imprensa do] Palácio, o Dilamar Machado. Tinha muitos jornalistas, muita gente. Tinha alemão, italiano, argentino, espanhol… O pessoal se engajou. Um episódio que me marcou envolveu o Luiz Carlos Barreto, o Barretão, produtor de cinema, que na época era repórter da revista O Cruzeiro. Lembro bem da cena: ele em cima de uma mesa em que os jornalistas se reuniam, na sala de imprensa do Palácio, onde depois foi instalada a Rede da Legalidade [rede de rádios comandada por Brizola, para transmitir sua versão dos fatos]. Quando o Jango chegou, o Barreto conclamou os jornalistas a irem apelar para o Jango não aceitar a proposta de parlamentarismo. Tinha gringo, americano, alemão, espanhol… Todo mundo abraçou a causa da Legalidade. Isso me impressionou. Nessa manifestação, o Jango não abriu o jogo, mas deu a entender que ia aceitar o parlamentarismo. Deixou implícito que ia aceitar.

P – Tu achas que se o Brizola tivesse sido eleito Presidente da República, em 1989, ele poderia ter melhorado alguma coisa, ter feito alguma coisa?

CB – Eu acho que o problema do Brasil é a educação, e o Brizola era obsessivo com a educação. Ele construiu seis mil escolas no Rio Grande do Sul. Eram escolinhas de madeira, mas eram escolinhas, estavam lá. O orgulho do Zambiasi é dizer que foi educado numa escolinha do Brizola. E isso aí… No Rio ele criou os CIEPS. O cara que tem o Darcy Ribeiro ao lado não precisa de ajuda. 

P – E por que achas que ele não se elegeu presidente? Foi governador do Rio Grande do sul, deputado federal, duas vezes governador do Rio de Janeiro…

CB – Pra mim, ele não foi presidente porque estava numa dúvida, ele e a dona Neuza, mais a dona Neuza, mas ele também. Tinha muito medo de ter que voltar para o exílio. A tese que eu tenho é que 50% do Brizola queria ser presidente, mas 50% não queria. Então vou revelar um dado aqui pra vocês: enquanto o Ulysses Guimarães, que era concorrente dele em 1989 e tinha 10 anos a mais que ele, viajava cinco dias por semana e parava dois, o Collor, que era um jovem, viajava cinco dias e parava dois, o Covas viajava cinco dias e parava dois, o Lula viajava cinco dias e parava dois, o Brizola viajava dois dias e parava quase cinco. Eu perguntei pro meu amigo, Carlos Contursi, que acompanhava o Brizola em todas as viagens: por quê?. E ele me disse: “A dona Neuza está com problemas e ele quer ficar junto dela”. Só que depois o Brizola foi candidato de novo, em 1994, e a dona Neuza já tinha morrido. E o Brizola repetiu a mesma história. Aí eu cheguei pro Contursi e disse: “Ô Contursi, quem é a dona Neuza agora que tá segurando o Brizola, que ele só tá viajando dois dias e não cinco?”. E ele: “Me pegaste, Bastos”. O Brizola não viajava porque não queria. Na eleição de 1989, vou dizer por que ele perdeu. Na Bahia, o Caetano e o Gil estavam em campanha aberta para ele. A Bahia é o quarto colégio eleitoral do Brasil. E o Brizola não foi à Bahia na campanha! O PDT tinha o prefeito de Mossoró, a principal cidade do interior do Rio Grande do Norte, o Brizola não foi a Mossoró. O PDT tinha a prefeitura da principal cidade do interior do Pará. O Brizola não foi lá. Ele perdeu a eleição por isso. Essa minha tese tem gente que aceita e gente que não aceita entre as pessoas próximas do Brizola. Pra mim, 50% ele queria e 50% ele não queria ser. 

Foto: Luís Augusto Fischer

P – Ou será que é porque ele era um homem do tempo do rádio, mesmo? Imaginava que só falando de longe ia dar certo.

CB – Não, não, nos últimos anos ele até se adaptou à internet. Se adaptou à internet antes de mim! Eu me dava muito com o secretário do Brizola, e ele me falou: “Bastos, tu não domina isso, até o Brizola já tá dominando isso”. 

P – Voltando à tua trajetória: o que aconteceu depois da Rádio Gaúcha?

CB – Em 1959, saí da Gaúcha e fui para a Última Hora, trabalhar como repórter político. Eu cobria a Assembleia, e o Flávio Tavares, o Palácio. Depois tivemos o reforço do Tarso de Castro, meu conterrâneo de Passo Fundo. Fizemos amizade mesmo quando ele veio me pedir emprego na Última Hora e, casualmente, tinha uma vaga na editoria de Polícia. Na primeira semana, o Tarso já arrumou um rolo. Um general reformado se envolveu em um acidente e o Tarso brigou com o homem no Pronto Socorro (risos). Era uma figura, o Tarso. Depois eu trabalhei na Zero Hora, na editoria de Política, com o Carlos Fehlberg.

P – Outro episódio importante que acompanhaste foi o golpe de 1964.

CB – Sim, estava trabalhando na Última Hora. Desde 1960, quando surgiu a Última Hora em Porto Alegre, e até fechar, trabalhei lá. Na Zero Hora, trabalhei nos três ou quatro primeiros números. Com o golpe de 1964, o Samuel Wainer foi para Paris e ficou só com a Última Hora do Rio e a Última Hora de São Paulo. Em Porto Alegre, Salvador, Recife e Curitiba, tinha Última Hora, mas não tinha gráfica, e o Samuel fechou todas. Aqui em Porto Alegre, o Ary de Carvalho, que era diretor da Última Hora, formou um grupo que assumiu as dívidas do jornal e o Samuel topou vender. Foi aí que o nome mudou para Zero Hora. Esse grupo de empresários que entrou com dinheiro para pagar as dívidas ficou com 50% do jornal, e o Ary, que entrou com a ideia, ficou com os outros 50%. O Maurício Sirotsky Sobrinho comprou a parte dos empresários em 1967, e a parte do Ary em 1970. No período do golpe, a Última Hora foi muito visada. No dia do golpe, eu estava estacionando e vi um delegado de polícia na porta do jornal. Dei uma ré e saí, fui para a Praça da Alfândega avisar o pessoal para não ir, porque a polícia estava lá dentro. O Ary de Carvalho, como diretor, mandou o Aveline e o Paulo Totti se esconderem. Uns 15 dias depois do golpe, fui conversar com o Nestor Fedrizzi, editor do jornal. “Olha, Nestor, tu sabe que eu tô representando o Aveline e o Totti aqui na redação, e tô preocupado com uma coisa. Já se passaram 15 dias e daqui a pouco eles caem no abandono de cargo. Então, vou pedir a tua concordância para eu bater o ponto deles e trazer o cartão pra tu rubricar”. E fiz isso. Quinze, 20 dias depois, eles estavam desesperados porque queriam ser demitidos do jornal e não conseguiam a solução. Pediram um encontro com o Ary de Carvalho. Nós fomos na casa do Ary de Carvalho, lá perto da Carlos Gomes, que começou a se desculpar e disse: “Olha, infelizmente, os novos donos não querem jornalista comunista e não querem indenizar os comunistas, e vocês caíram no abandono de cargo, porque se passaram já 30 dias”. E eu disse: “Não, não faz 30 dias, porque eu bati o ponto deles e o Fedrizzi, com a autoridade dele de editor, rubricou e validou”. Aí o Ary se entregou: “Mas o Nestor não podia ter feito isso” (risos). Bom, aí se acertaram. O Ary teve que fazer a indenização, e eles saíram do jornal. 

P – Era um tempo que o jornalista tinha que ter certa coragem pessoal…

CB – É verdade. Tem outro episódio interessante, de 1964, mas vou ter que me auto-elogiar. O Mário de Almeida tinha uma coluna que dava um pau diário na polícia. Se prendessem o Mário naquele momento, com certeza matavam. Então o Nestor Fedrizzi escondeu o Mário num apartamento ali perto do campo do Força e Luz, mas toda a redação sabia. E aí começaram a prender gente na redação. O Baiano foi preso, o Gaguinho [José Antônio Ribeiro] apanhou. Cheguei pro Nestor e disse: “O Mário não pode ser entregue, e tá toda a redação sabendo. Vamos tirar o Mário de lá. Eu vou esconder o Mário e tu não vai saber onde é que eu vou guardar”. Eu tinha um irmão solteirão que morava sozinho na Cidade Baixa e levei o Mário para lá. Terminou com o estoque de bebidas do meu irmão, porque o Mário era alcoólatra e o meu irmão também. Meu irmão era muito mulherengo e recebia muitas prostitutas, e o Mário pegou todas elas também. Mas aí bateu a solidão e o Mário teve a ideia de ir para a cidade da Ivete Brandalise, Concórdia (SC), que era a cidade dele também. A Ivete disse que era uma loucura levar o Mário pra lá porque todo mundo ali sabia quem ele era. Meia hora depois que ele chegasse, ia estar toda a polícia sabendo e o Mário seria preso. Ela tinha razão. Aí ela disse: “O pai do Paulo José [diretor e ator de cinema e TV que foi companheiro de Mário no Teatro de Equipe], tem uma fazenda em Lavras. Seria o lugar ideal”. Fomos lá, eu e o João Ferreira, conversar com o pai do Paulo José. Ele era engenheiro do DAER e era do Partidão. O apartamento era na Barros Cassal. Quando nós entramos, vimos que o homem já estava abrigando uns 20 líderes sindicais, e a mulher dele estava servindo sopão para o pessoal ao meio-dia. Não sei como aquele bando de guri cabia naquele apartamento de três quartos… (risos). “Vocês têm mais sorte que juízo”, ele disse, “estou indo amanhã pra minha fazenda em Lavras. Mas vocês vão ter que tirar o Mário de Porto Alegre e vão me entregar lá perto de Arroio dos Ratos”. Ele não estava sendo procurado, mas se a polícia pega o Mário, mata, por causa daquela coluna que ele manteve durante meses, anos, na Última Hora.

P – Ficaste até o fim da Última Hora…

CB – Sim. Uma das últimas notícias que eu dei na Última Hora, antes de sair, foi o dia em que o Brizola chegou ao exílio. Depois do golpe, o Brizola ficou mais de um mês em Porto Alegre, e eu dei um furo nacional quando ele chegou a Montevidéu. Isso porque eu era companheiro de bar do Sereno Chaise, que tinha articulado a saída dele do Brasil. O Sereno era prefeito de Porto Alegre e nós estávamos no Bar Líder, que era ao lado do cinema Vogue. Então ele disse: “Eu não vou te dizer como o Brizola chega amanhã a Montevidéu”. Liguei para o jornal contando e deram cinco linhas sobre o assunto. A Última Hora de Porto Alegre foi o único jornal do Brasil que deu. Três dias depois, fui demitido…

P – E foste pra onde?

CB – Aí fui trabalhar com o Lauro Schirmer na TV Gaúcha. Do jornal A Hora, o Lauro tinha ido para a TV Piratini e depois para a TV Gaúcha. Ali eu trabalhei com o Ibsen Pinheiro, com o Werner Becker, com a Ivete Brandalise no Show de Notícias… A Ivete fez um sucesso tremendo porque tinha facilidade para decorar e falava com naturalidade. Dava “peruadas” maravilhosas depois das notícias. Todo mundo pensava que o texto era dela, mas era redigido pelo Ibsen. Ela foi maravilhosa, a Ivete, e o Show de Notícias foi uma grande lição pra mim.

P – A TV Gaúcha já era do Maurício Sirotsky nessa época?

CB – A TV Gaúcha da época não era só do Maurício. A Zero Hora também não, era do Ary de Carvalho. O jornal continuava tendo gente de esquerda. O Marco Aurélio Garcia foi o primeiro editor do caderno Cultura da Zero Hora, por exemplo. Eu acho que essa operação limpeza aconteceu logo depois do golpe. Quando o Maurício compra a parte do Ary de Carvalho, convida o Nestor Fedrizzi para dirigir o jornal. Ele estava dirigindo um jornal em Blumenau, mas era período escolar e teria que se mudar para Porto Alegre e deixar os filhos lá. O Nestor acabou não vindo. Um dia o Lauro Schirmer me chama e diz: “O Maurício pediu para eu arranjar outro nome para dirigir a Zero Hora. Tu tem um nome bom?”. Eu digo: “Ô, Lauro, quando é que tu vai perder essa tua timidez e vai ter coragem de chegar para o Maurício e dizer: o cara que tu tem, Maurício, para esse lugar sou eu”. Aí ele disse: “Tu acha, Bastos?” Ele duvidou um pouco mas depois chegou lá e disse assim pro Maurício: “Maurício, o Bastos lá no pátio me disse isso agora, assim…”. E o Maurício: “O Bastinhos tá com a razão. Tu tá nomeado”.

P – Quando ocorre essa compra da Zero Hora pelo Maurício, o prédio da Zero Hora na Avenida Ipiranga já tinha sido construído pelo Ary de Carvalho. Estava praticamente pronto, com oficinas, máquinas, redação. Tem uma história, não sei se tu confirmas, que para fazer aquele prédio o Ary de Carvalho se endividou muito…

CB – Ele se endividou com a Crefisul, que era do primo do Maurício, o Aron Birmann. A versão que eu tenho é a seguinte: a dívida da Zero Hora era dos dois [Ary de Carvalho e Mauricio Sirotsky], cada um tinha 50%. Mas o Ary tinha o domínio porque era o sócio mais antigo. O Maurício tinha pedido para o Ary fazer dois aumentos de capital. Quem socorreu o Ary foi o Moreira Salles, porque o Ary era muito relacionado com banqueiros, era um avião. Daí teve uma terceira jogada do Maurício, que tinha financiado a compra da casa do Ary no bairro Assunção e disse que precisava que o Ary pagasse para ele em ações da Zero Hora. Assim o Maurício ficaria com a maioria, entendeste? Mas o Ary conseguiu um vale do Banco do Rio Grande do Sul e pagou o Maurício. Aí veio a conversa definitiva: o Birmann colocou os dois frente a frente e disse: “Vocês não têm mais condições de ser sócios”. O Ary tinha preferência para comprar a parte do Maurício, mas não tinha condições. Aí o Maurício comprou e pagou em cinco anos.

P – Quando Lauro Schirmer assume a direção da Zero Hora tu vais para a TV Gaúcha para ser chefe de reportagem?

CB – Exato. Fiquei no lugar do Lauro na televisão. Ele vai para a Zero Hora e leva o Celito de Grandi como chefe de reportagem. Mas o Celito fica só uns seis meses e sai, vai pra sucursal do Correio da Manhã. Então o Lauro me colocou para acumular a chefia da TV com a chefia de reportagem da Zero Hora. Tive um ano que eu considero privilegiado. Montei a melhor equipe de reportagem que o Rio Grande do Sul já viu. E quem diz isso é o Antônio Oliveira, que foi meu subchefe de reportagem: tinha o Luiz Cláudio Cunha, o Pedro Maciel, o Juarez Fonseca, o Ademar Vargas de Freitas, a Letania Menezes, a Marina Wodtke, o Sérgio Capparelli, a Dina Streliaev… Era uma equipe maravilhosa.

Foto: Luís Augusto Fischer

P – É dessa época o início da reforma da concepção do jornalismo, com a introdução do lide, o fim do nariz de cera… Passaste por isso?

CB – Essa fase é mais inspirada nos jornais do Rio. Principalmente no Diário Carioca e no Jornal do Brasil. O Diário Carioca implantou o lide, e o JB seguiu. Foi a fase do Odilo Costa Filho e do Alberto Dines no JB. Esses dois revolucionaram a imprensa. É verdade que teve a revolução anterior do Samuel Wainer, na Última Hora. Conto uma história pra vocês verem a cabeça do Samuel. Apenas uma vez, em uma reunião da redação, ele falou conosco. Nunca mais vi o Samuel depois disso. Mas fui para a inauguração de Brasília no voo em que o Brizola levou empresários, deputados, o cardeal Vicente Scherer… Estou com o Floriano Soares no Congresso e encontramos o Samuel, ele e a Danuza Leão. Estávamos os quatro, e o Samuel virou pra nós e disse: “O que meus repórteres gaúchos estão fazendo aqui?” Como é que o cara gravou eu e o Florianinho, que tivemos só uma reunião só com ele?

P – Tua carreira no jornalismo acabou sendo mais na “cozinha” da redação, do que na reportagem.

CB – Isso. A maior parte da minha carreira foi como chefe de jornalismo: de rádio, de televisão, de jornal. Só lá no início fui repórter. A última vez em que fui repórter foi na Última Hora. Depois, fui chefe, fui diretor de jornalismo da Rádio Gaúcha, depois da Difusora. Eu era meio saltimbanco, tive uma passagem muito bonita na Difusora. 

P – Como lidaste com a censura dentro da redação?

CB – Eu tenho uma tese. No Rio e no São Paulo teve censura, mas aqui no Rio Grande, censura direto, censor na redação, não me lembro. Eu recebia recados: não pode fazer isso, não pode fazer aquilo, não pode fazer aquilo outro. O pior da ditadura foi a autocensura. Como diretor do jornalismo e chefe de reportagem, eu tinha que decidir o que ia pro ar e o que não ia. Isso foi o dramático durante a ditadura. O que houve aqui foi mais a autocensura. Censor na redação só num período muito curto, talvez ali quando saiu o AI-5. 

P – Como chegaste à cobertura da Constituinte, em 1988? 

CB – Quando saí da TV Gaúcha, a RBS me escalou pra cobrir a Constituinte em Brasília. Fiquei um ano e meio lá, assisti todo o final da Constituinte. Sou das poucas pessoas que não gostou de morar em Brasília. É que eu tinha um problema: minha mulher era muito ligada à mãe dela, que ficou em Porto Alegre. Eu tinha filhos, do primeiro casamento, e todos estavam aqui em Porto Alegre. Eu voltei, minha mulher voltou, anos depois a mãe dela morreu. Meus filhos, nenhum deles está hoje em Porto Alegre (risos). A vida é assim. Mas esse período em Brasília foi muito rico. Gostei muito de trabalhar em Brasília, mas viver lá não fez a minha cabeça.

P – E tu fez amizades com políticos? 

CB – Sim, o Alceni Guerra era meu companheiro de chimarrão. Fiz boa amizade com ele. Ele estava conquistando na época a Rita Camata, que era belíssima. Ele senador e ela, deputada. Eu notava que eram muito amigos, mas na real tinham um caso. Tanto é que tem uma história, e aí eu soube por jornais, que o Alceni foi reclamar da campanha da Globo contra ele, por causa do “escândalo das bicicletas”, e o diretor de jornalismo da Globo também era namorado da Rita Camata. Contam que o [Fernando] Collor virou pra ele e disse: “Mas como é que tu vai namorar a namorada do diretor da Globo?”. (risos)

P – No tempo em que tu foste chefe de reportagem da TV, teve algum problema com a Globo? Como era o relacionamento da RBS com a Globo?

CB – Sempre foi muito bom, porque a Globo respeitava muito a competência da RBS, que era a melhor afiliada. Esse era o conceito da RBS. Mas eu tinha uma dificuldade, e essa é uma história boa de contar. Eles eram apaixonados pelo Geraldo Canali como repórter. Tanto a Alice Maria, que era a diretora do jornalismo, quanto o Armando Nogueira, que era o diretor geral. Os dois só queriam matérias com o Canali. E eu mandava matérias com outros repórteres que tinha, excelentes repórteres. Aqui eu tinha o Carlos Dornelles, a Ana Magalhães, que depois foi pra Globo e virou Ana Terra, vários repórteres, Gilberto Lima, outros… E eu brigava com a Globo, não conseguia levar matérias deles nas reuniões para mostrar. O Carlos Dornelles diziam que era imberbe, mas dali a pouco eles o contrataram e 20 dias depois ele estava participando do Jornal Nacional. Aí eu ligo pra Alice Maria, digo: “Alice, quando estava aqui comigo ele era imberbe, era um gurizinho…”. “Ah, não, mas nós demos uma garibada nele”. (risos) Um dia estou assistindo ao Jornal Nacional e entraram nove repórteres gaúchos no programa. Só um não tinha trabalhado comigo, o Caco Barcellos. Eram o Canali, o Gilberto Lima, o Dornelles, a Ana Terra, o Roberto Thomé, a turma que eu fiz aqui e que foi para lá. Eu me emocionei e minha mulher ficou impressionada com aquilo. Como é que eu não vou me emocionar?

P – Um cara como tu deve ter lidado muito com vaidade. Ao mesmo tempo que é um mundo de trabalho, da busca de informação, é um negócio de muita vaidade. Tem que administrar egos e tal…

CB – Muito, muito, muito. Eu convivi, e foi um dos grandes amigos que fiz na vida, com o Paulo Sant’Ana, que era o rei dos vaidosos. Tem uma história interessante dele. O Grêmio saiu campeão brasileiro em 1981 e, no dia seguinte, no Jornal do Almoço de segunda-feira, o Sant’Ana entra no estúdio enrolado na bandeira do Grêmio, cantando o hino do Grêmio. No fim de cada frase, dizia “até a pé nós iremos” ou “eu sou campeão brasileiro”. Porque nós, gremistas, estávamos com o campeonato brasileiro do Internacional, que era tricampeão nacional e no último ano tinha sido campeão invicto, atravessado na garganta. E então o Sant’Ana some no ar. E eu digo: “Ué, aconteceu alguma coisa com o Sant’Ana”. Chego lá, e ele estava desmaiado no chão. Chamei a mulher dele e fomos para o Hospital Moinhos de Vento. Um ano depois, eu tinha almoçado com o Sant’Ana no Barranco, era um sábado, não existia a Zero Hora dominical na época, então nós sabíamos que não tinha ninguém na Zero Hora, mas sabíamos que o Lauro Schirmer e o Fehlberg estavam lá e fomos lá pra conversar. Subindo as escadas da Zero Hora, virei pro Sant’Ana e disse: “Ô Santa, me esclarece uma dúvida que tenho há ano: aquela vez que tu desmaiaste quando o Grêmio foi campeão brasileiro, desmaiaste mesmo ou foi encenação?”. E ele: “Tu quer que eu seja honesto, Bastos? Eu tenho a mesma dúvida que tu”. (risos)

P – Que diferenças tu achas que existe entre o jornalismo daquela época, dos anos 1970-1980, digamos assim, e os de agora? Considerando ou não a informatização, a tecnologia. 

CB – Vou te dizer o seguinte: é o dado que mais me impressiona e que acho um retrocesso, não um avanço. A internet trouxe vantagens para o jornalismo, mas trouxe essa desvantagem: acomodou o jornalismo. Qual é a minha tese? Naquela época, o repórter chegava na redação, pegava a pauta, saía e voltava no fim da tarde. Há um ano, mais ou menos, estive na redação da Zero Hora. No meio da tarde, três e meia, quatro horas, estavam todos os terminais ocupados, toda a redação ocupada. O repórter sentou a bunda na redação, mas o lugar do repórter é lá no estádio pra dar notícia do futebol, é na delegacia de polícia para dar a notícia na Polícia, é na Assembleia para dar notícia da Política, no Palácio Piratini. A notícia está na rua. A notícia não está na redação, mas eles estão na redação e é lá que eles fazem a notícia hoje. Através do telefone, de celular, de internet. É isso.

Foto: Juarez Fonseca

P – Antigamente os jornalistas frequentavam bares, restaurantes. Hoje não existe mais isso…

CB – Eu acho que são os tempos modernos. Mudou o estilo de vida das pessoas. Essa boêmia eu frequentei. Quando era repórter do Clarim, passava a noite em um bar onde hoje está o prédio da Caixa Federal, na Praça da Alfândega. Tinha um café ali que funcionava a noite inteira. E eu passava ali, até de madrugada. Ia no Mar del Plata, ia no Farolito, ia nos bares da noite de Porto Alegre. Mais adiante eu não ia nos bares da noite, mas ia em bar-chope. Ia no Henrique, no Estilo. E hoje, é verdade, não tem mais isso. Eu não sei o motivo, por que isso desapareceu, eu não saberia te dizer. Mas esse pessoal não tá indo pra Cidade Baixa, e eu tô velho, então não tô indo. (risos)

P – Andas escrevendo as tuas memórias?

CB – Não, não. (risos) Não tô escrevendo. Eu tenho esse desafio, mas sabe que é muito complicado isso porque afeta pessoas. Eu tenho histórias muito boas, mas não adianta contar se eu não botar o nome das pessoas. E aí é complicado. Eu, vivo, não vou poder escrever minhas memórias porque afetam pessoas com quem eu ainda convivo. E se não é a pessoa envolta no episódio, é o filho, é o sobrinho, é um neto…

P – Aí seriam as memórias póstumas de Carlos Bastos… (risos)

CB – Essa é uma sugestão que me deram e que eu acho que eu vou abraçar.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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