Censura na Câmara e fim da aposentadoria especial na Assembleia

O que você precisa saber hoje

Censura – A exposição de cartunistas Independência em Risco foi cancelada na Câmara Municipal de Porto Alegre menos de 24 horas depois de entrar em cartaz. A determinação partiu da presidente da Casa, Mônica Leal (PP), em razão de uma charge satírica com o presidente Jair Bolsonaro, a qual ela considerou ofensiva. “Aqui nós temos um espaço dedicado a obras de arte, a mostras históricas, não é um espaço para ofensas”, justificou ela, que disse que não considera o ato como “censura”. O PT, que requereu a exposição a pedido dos autores, afirmou que irá recorrer da decisão. O Sindicato dos Jornalistas e a Federação dos Jornalistas repudiaram “com veemência” a atitude do Legislativo.

Capes – O Rio Grande do Sul é o segundo estado com maior número de bolsas cortadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) na mais recente tesourada de recursos do órgão. São, ao todo, 725 bolsas de pós-graduação descontinuadas já a partir deste mês, uma quantidade inferior apenas a São Paulo. Só no RS, mais de 4,7 milhões de reais deixarão de ser investidos em pesquisas nesta vez. Com três cortes apenas neste ano, as universidades gaúchas perderam 1.047 pesquisadores. A título de comparação, como bem observou José Godoy, em comentário na CBN, o valor do almoço do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho 03 do presidente, em Washington, pagaria duas bolsas do CNPq, também afetado com cortes.

Aposentadoria dos deputados – A Assembleia Legislativa aprovou ontem por unanimidade a extinção da aposentadoria especial dos deputados estaduais. Criada em 2014, o sistema dava ao parlamentar com 35 anos de mandato e idade de 60 anos o direito de se retirar com o salário integral. A partir de agora, os deputados contribuem pelo INSS, e se aposentam pelo limite do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), onde o teto é de 5,8 mil reais. Essa aprovação, contudo, não traz impacto financeiro aos cofres do parlamento, já que ninguém estava recebendo o benefício. A lista de contribuintes já chegou a contar com 22 deputados, que foram abrindo mão do plano na medida em que a discussão em torno da extinção do sistema avançou.

Radares móveis I – Com a suspensão do uso de radares móveis nas rodovias federais determinado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), parece que os motoristas gaúchos perderam o pudor de andar acima da velocidade permitida na rodovias federais. A convite do GaúchaZH, um especialista em trânsito operou um radar certificado pelo Inmetro durante duas horas em quatro pontos críticos de estradas localizadas no Estado. Foi tempo suficiente para flagrar 180 veículos trafegando em alta velocidade. No km 109 da BR-290, em Eldorado do Sul, quase 10% dos carros trafegavam acima dos 107 km/h. No km 53 da Freeway, em Glorinha, 7,7% dos veículos trafegavam acima dos 118 km/h – e uma Mercedes foi flagrada correndo a 166 km/h.

Radares móveis II – Em sua coluna ontem no jornal Metro, André Machado também falou sobre a fiscalização de velocidade, mas na cidade: “Um post numa rede social da EPTC no fim de semana mostrava dois flagrantes de veículos andando acima do limite de velocidade na avenida Diário de Notícias, na zona sul, em um dia de chuva. Um flagrado a 99 km/h e outro a 105 km/h. Ambos fotografados por um radar móvel. Gostaria de dizer que é inacreditável, mas adivinha quem foi o mais criticado nos comentários da postagem? ‘Antes das 10h e a EPTC já está mocozada? São um verdadeiro câncer’, escreveu um internauta. ‘Escondidos para multar’, disse outro. (…) É chocante que as pessoas, ao invés de preocuparem-se com os infratores, estão prontas para criticar a fiscalização”.

Outros links:

  • O governador se reuniu com representantes do Legislativo, Judiciário, MP, TCE e Defensoria para debater o congelamento da LDO.
  • O preço do litro da gasolina segue em queda nos postos do RS (🔒).
  • Uma empresa terceirizada fará a manutenção de 667 praças e três parques de Porto Alegre.
  • A Secretaria de Saúde de Gramado investiga se um jovem de 22 anos morreu de dengue hemorrágica.
  • O Extra Classe apurou que o novo reitor da UFFS fez um curso de graduação em uma faculdade envolvida em fraudes na emissão de diplomas.
  • A La Birra Cervejaria, de Caxias do Sul, foi eleita a melhor Black Ipa das Américas na Copa Cervezas, ocorrida no Chile.

Esportes

Daqui a algumas horas saberemos se os cardiologistas do Rio Grande do Sul terão um setembro de muito trabalho. Isso porque Grêmio e Inter decidem, respectivamente contra Athletico-PR e Cruzeiro, vagas na grande final da Copa do Brasil. A vantagem é gaúcha e, caso nem Paulo Victor nem Marcelo Lomba sejam vazados hoje, haverá Gre-Nal valendo título nacional a partir da semana que vem. Os tricolores vão a campo antes, às 19h, em Curitiba. Os colorados jogam a partir das 21h30, no Beira-Rio. Detalhe: os dois jogos vão ser transmitidos ao vivo pela Rede Globo no RS e PR – o que afetará a programação das novelas da emissora.


Agenda

  • Começa hoje um Seminário sobre Patrimônio Histórico na Assembleia Legislativa. Na pauta, o resgate e manutenção do acervo arquitetônico do RS. Será às 9h, e os ingressos partem de 65 reais.
  • A prof. Luíza Neitzke fala sobre a arte dos cemitérios, e analisa artistas e obras-primas das necrópoles da Capital. Será no StudioClio, no almoço.
  • No Multipalco do Theatro São Pedro, os músicos Leonardo Bittencourt e Caetano Maschio tocam, ao bandolim e piano, clássicos de Jobim, Garoto, Piazzolla e outros. Será às 12h30.
  • O cantor Gustavo Bing presta uma homenagem ao mestre Frank Sinatra esta noite no Teatro do Bourbon Country.
  • Abre hoje a exposição Máquina do Mundo, sobre fotografia moderna, no Linha. A curadoria é de Alexandre Santos e Luísa Kiefer
  • Na área da Educação, há um seminário sobre autocensura, no Centro Cultural da UFRGS, e o lançamento de um livro sobre ensino e direitos humanos, na Faced.

Você viu?

Veio a público na semana passada a delação premiada do petista Antônio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma. Organizada em 23 capítulos, a delação aponta troca de favores para empresas em favor do Partido dos Trabalhadores, e o último deles envolve o Grupo RBS. Palocci afirmou que o grupo de mídia gaúcho pagou propinas a conselheiros do CARF para perdoar uma multa de 500 milhões de reais aplicada pela Receita Federal. Ele relatou ainda que, em 2011, quando era ministro da Casa Civil, recebeu a visita do então presidente do Grupo RBS, Nelson Sirotsky, e do ex-diretor jurídico da empresa, Paulo Tonet Camargo, que pediram ajuda “para conseguir o perdão da dívida”. Em troca, Palocci, acordou que os veículos do grupo RBS apoiariam o governo de Dilma. Segundo o site Espaço Vital, o Grupo RBS emitiu uma breve declaração em que afirma que suas relações com o Poder Executivo sempre foram “realizadas exclusivamente nos âmbitos institucional ou editorial”. A delação voltou ontem a ganhar os trending topics do Twitter – um trecho em vídeo da delação foi divulgado pelo site O Antagonista.