Cláudia Laitano: covidiota

“Têm ainda covidiotas que acreditam na Gripezinha? (@bourahli65 no Twitter em 31 de março)

Definição:

  • Pessoa que se comporta de maneira egoísta, irresponsável ou simplesmente idiota durante a pandemia da Covid-19. 
  • Indivíduo que desrespeita o protocolo do distanciamento social colocando em risco outras pessoas. 
  • Comprador que acumula mercadorias sem necessidade, desestabilizando o comércio local.
  • Quem espalha versões mentirosas ou não comprovadas sobre a Covid-19. 

Quem usou:

  • “O termo ‘covidiota’ vem sendo usado para descrever aquelas pessoas que se aglomeravam em resorts à beira-mar e parques enquanto a maioria do país já estava evitando o contato público. Também refere-se aos beberrões que lotaram bares para tomar um último copo antes do bloqueio. Os que brindaram e se abraçaram enquanto cantavam Sweet Caroline, de Neil Diamond, foram considerados irresponsáveis e tolos. Aqueles que trocaram ‘um último beijo’ antes do bloqueio podem agora estar sofrendo de algo bem pior do que uma ressaca. A covidiotice é altamente infecciosa: a condição é imprevisível e tem um curto período de incubação. Na China, por exemplo, a covidiotice reapareceu assim que a taxa de infecção diminuiu. Uma vez que a epidemia parecia sob controle, um novo vírus covidiota se espalhou. A partir da mídia estatal chinesa, a tola teoria de que os militares dos EUA haviam criado a doença rapidamente infectou o mundo. Já os iranianos culparam os israelenses e alguns de seus aliados, dizendo que era o castigo de Deus aos não-crentes.” (Andy Shaw, no site Life Spectator, em 27 de março)

  • “Eles foram apelidados de ‘covidiotas’. Muitos deles são homens jovens, autocentrados,  mal informados ou tolos demais para acreditar que o distanciamento social, o autoisolamento e os pedidos para que todos permaneçam em casa se aplicam a eles também. Eles tornaram-se um alvo fácil nas redes sociais. Em um momento de pânico global, o medo diminui um pouco quando é temperado por um pouco de ódio. Mas especialistas em comunicação e comportamento humano acreditam que o caso é um pouco mais complicado. Esses rapazes não estão sendo apenas idiotas, egoístas e burros, garantem esses especialistas. (Embora exista um pouco disso também…) Seres humanos têm dificuldade para levar a sério o risco coletivo. ‘Estamos conectados pela evolução para responder a ameaças imediatas’, disse Robert Gifford, professor de psicologia e estudos ambientais da Universidade de Victoria. Em um cenário de risco coletivo como esse, essas ameaças precisam ser comunicadas de forma clara, simples e sem confusão para que o público a compreenda. E com muita frequência, quando se trata da Covid-19, não foi isso que aconteceu.” (Richard Warnica, no National Post, em 27 de março)

Confira uma animação da The School of Life, narrada pelo filósofo Alain de Botton, sobre o livro A Peste, de Albert Camus: 

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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