Claudia Laitano: Ressignificação

“Coloquei a bandeira do Brasil no meu nome pq acho que tá na hora da gente ressignificar e não deixar mais os bolsominions estragarem ela.” (@littlebitofp, no Twitter em 19 de maio)

“Não tem jeito de ressignificar a bandeira do brasil. Mandem imagens aí pra fazer uma bandeira nova pra representar o país.” (@dougraz, no Twitter, em 20 de maio)

Definição: 

  • Atribuir novo significado a acontecimentos, palavras ou símbolos através da mudança de uma determinada visão de mundo.
  • O termo, originalmente ligado a terapias cognitivas, foi desenvolvido a partir dos anos 1960. Hoje foi absorvido pela linguagem cotidiana e é usado em diferentes contextos, do coaching à psicanálise, da História à antropologia.

Quem usou: 

“Felipe Neto participa de movimento para ressignificar a bandeira do Brasil. O youtuber e influenciador Felipe Neto está participando de uma campanha que pede que todos usem a bandeira do Brasil no perfil do Twitter. A ideia é desassociar a imagem do símbolo a um possível ultranacionalismo no país e tirar seu uso político. Nos últimos anos, a bandeira e as cores verde-amarela têm sido usadas principalmente em manifestações da direita. Felipe foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira, e fez críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a outros influenciadores.  Em sua publicação, Felipe disse que é hora de tirar o ‘uso político da bandeira do Brasil pela extrema-direita’. ‘Usarei a bandeira do Brasil no meu nome, não como símbolo de ultranacionalismo, mas como luta pela reconquista do que é do povo’, completou. (Do UOL, em 20 de maio)

“O isolamento social sem precedentes da Covid-19 importa na ressignificação de práticas e conceitos, entre eles as prescrições normativas ligadas ao direito à liberdade (flexibilizado pela imposição do estado de emergência da pandemia) e à privacidade (pelo monitoramento de dados individuais colhidos de celulares para a formulação de políticas públicas). Nesse contexto, chamam a atenção aplicativos cuja funcionalidade é alertar ao seu usuário se ele está próximo de potenciais contaminados pelo vírus da Covid-19. Isso é feito pelo mapeamento de sua trajetória combinado a inúmeros dados individuais e de sistemas públicos. Não nos parece possível controlar um ecossistema desse porte. Logo, quem deve evoluir são as sociedades, reinterpretando conceitos, como os que foram firmados na década de 1980 e incluídos na Constituição Federal, redefinindo a privacidade individual à luz das funcionalidades da inteligência artificial, das plataformas de monitoramento e dos limites da atuação estatal, corporativa e social em face dos dados colhidos.” (Evane Beiguelman Kramer e Giselle Beiguelman, na Folha de S. Paulo, em 16 de abril)

“Quando uma pessoa escolhe ressignificar algo, ela está escolhendo transformar uma experiência negativa pela qual passou em sua vida, em algo positivo. Por mais que tenha sido uma situação pesada e dolorosa, ela sempre busca enxergar o lado bom de tudo isso, bem como os aprendizados obtidos a partir de tais vivências, para que, dessa maneira, possa seguir em frente, apesar dos problemas. Ressignificar é perceber que nem tudo de ruim que vivemos é tão ruim assim, já que, mesmo se tratando de uma situação difícil, é possível sair muito mais forte dela, tendo a oportunidade de aprender e modificar aquilo que não estava trazendo tanto resultado assim para a nossa trajetória e evolução. Dessa maneira, é primordial que, independentemente de ficarmos tristes com as adversidades que muitas vezes surgem e nos pegam de surpresa, nós encontremos forças em nosso interior, para visualizar as coisas boas que tais problemas estão nos trazendo, pois, dessa maneira, conseguimos seguir com a nossa vida, sem sofrer tanto com as experiências negativas.” (Instituto Brasileiro de Coaching, 15 de outubro de 2019)

Assista a um vídeo do historiador Leandro Karnal sobre “ressignificação da vida”: 


Cláudia Laitano é jornalista, com especialização em Economia da Cultura. É mestranda em Literatura pela UFRGS, com pesquisa sobre Carlos Reverbel. É autora de “Agora eu era” e “Meus livros, meus filmes e tudo o mais”, ambos pela L&PM.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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