Covid-19 acelera no Brasil; RS registra mais 500 casos

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O que você precisa saber hoje

Coronavírus avança – Enquanto estados e municípios estudam ou começam a flexibilizar normas de isolamento social para retomar atividades comerciais, o coronavírus segue avançando. Em mais um dia de recorde trágico, o Brasil registrou 1.188 novas mortes pelo vírus, elevando o total para mais de 20 mil. O número de infectados continua a subir também, ultrapassando os 300 mil e fazendo do Brasil o terceiro país do mundo em número de casos. No Rio Grande do Sul, a infecção já está confirmada em metade das cidades e ultrapassa os 5 mil casos – 500 deles registrados apenas nas últimas 24 horas. 

Desrespeito às normas na reabertura de POA – Mas os números da tragédia não foram suficientes para inibir a aglomeração de pessoas no primeiro dia de flexibilização em Porto Alegre. Em uma foto que circulou nas redes sociais durante a quinta-feira, o tradicional restaurante Barranco aparece lotado e infringindo a regra de distanciamento mínimo fixada pelo decreto. Segundo os proprietários, o ângulo da imagem engana e os protocolos de segurança foram seguidos. O prefeito Nelson Marchezan (PSDB) comentou que “alguns tentando recuperar os prejuízos de forma rápida podem estar levando ao fechamento de forma rápida dessa atividade de novo”. O movimento no transporte público também aumentou, provocando aglomeração de passageiros nas paradas e protesto pela aglomeração nos ônibus. Enquanto isso, cresce o número de estabelecimentos que se recusam a abrir por considerarem o momento inapropriado.

Piratini estuda programa de renda mínima – Quase 15% da população gaúcha está apta a receber o auxílio emergencial do Governo Federal durante a pandemia. Para contribuir com essas famílias, o Executivo gaúcho estuda a possibilidade de criar um programa próprio de renda mínima. Contudo, a ajuda chegaria só depois de encerrado o programa federal. Enquanto o auxílio regional é só uma ideia, é o Governo do Estado quem suplica pela ajuda da União. Em reunião com o presidente Jair Bolsonaro ontem, Eduardo Leite (PSDB) reafirmou sua posição favorável ao congelamento de salários de servidores públicos como compensação ao auxílio financeiro para Estados e municípios, aguardado há mais de duas semanas. Leite conta com o repasse dos cerca de R$ 500 milhões da União para quitar a folha de pagamento de abril. No encontro virtual, o governador aproveitou para destacar a necessidade de enviar ao Congresso o projeto de regulamentação do acordo relativo às perdas da Lei Kandir. A proposta da União, homologada pelo STF, fixou em 65,5 bilhões de reais o repasse aos Estados, dos quais 10% virão para o RS, a conta-gotas ().

Campanha quer proteger trabalhadoras domésticas – “Dá um quentinho no coração ver as pessoas aprendendo na marra o quanto nosso trabalho é difícil e o quanto a gente merece reconhecimento por fazer algo que exige tanto do nosso físico”, diz Veronica Oliveira, ex-faxineira que virou influencer depois que seus anúncios criativos viralizaram nas redes. Ela não acredita, contudo, que patrões e patroas passarão a valorizar a profissão. Se em um primeiro momento da quarentena houve quem tenha dispensado suas diaristas, mais recentemente, normas como a do distanciamento controlado, em vigor no RS, liberaram os serviços. Na luta para proteger as profissionais, a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas mobiliza uma campanha nacional. No Brasil, elas somam 6,4 milhões, das quais 95% são mulheres, 63,3% são negras e 50% são as únicas responsáveis pela renda de suas famílias. De acordo com Nota Técnica do MPT, as trabalhadoras domésticas só devem trabalhar durante a pandemia quando seus serviços forem absolutamente indispensáveis, como no caso das cuidadoras de idosos que moram sozinhos.


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Carta da editora: Cuidado, números na pista

Por Marcela Donini*
 
Tenho um grande amigo jornalista que se apresenta no Twitter como “pedreiro de letrinhas”. Ele é um desses excelentes repórteres que facilitam o trabalho dos editores ao entregarem matérias praticamente prontas para serem publicadas. E isso significa não só construir um texto claro, informativo e atrativo, mas fazer bem a apuração – entrevistar, ler documentos, comparar versões contraditórias etc –, que é a fundação do nosso trabalho. Sem ela, não há texto que se sustente.
Mas o coronavírus tem demandado das redações uma outra espécie de jornalista, mais rara no nosso habitat: o “pedreiro de números”. Todo dia há uma enxurrada de dados relacionados à pandemia. Não é de hoje que as redações sentem falta de profissionais que saibam trabalhar com bases de dados, calcular variações e proporções, fazer correlações, interpretar números de maneira geral. Com um volume de dados disponíveis online cada vez maior e ferramentas digitais que facilitam sua análise, essa habilidade se tornou fundamental nos últimos anos. A pandemia, e a velocidade com que mudam os números que dominam o noticiário hoje, só agravou o desafio.
Na ânsia de cavar uma manchete exclusiva quando, em tese, todos têm acesso aos mesmos números de casos e mortes por Covid-19 das fontes oficiais (subnotificados, não custa lembrar), um veículo pode forçar a barra. Some-se a isso o bafo na nuca do editor que quer “subir a matéria logo no site” para que ela ganhe as redes sociais de uma vez e caia no gosto dos leitores – e dos algoritmos. Nesse contexto, o repórter aquele que sempre sonhou em ser escritor e repetiu de ano por causa da matemática no colégio eventualmente vai, com o perdão do trocadilho, derrapar na curva. E levar os leitores junto. […]

Leia o artigo completo.


Dicas culturais (para enfrentar o isolamento)


Hoje (22/5)
Às 18h, o Museu de Arte Contemporânea do RS (MACRS) e o Museu de Artes Visuais Ruth Schneider (MAVRS) promovem live sobre museus em tempos de isolamento social. Participam do encontro o diretor do MACRS, André Venzon, e a arte-educadora e artista visual Luciane Tomasini (MAVRS).
 
Ava Rocha canta no #EmCasacomSesc, série de apresentações virtuais promovida pelo Sesc São Paulo, às 19h.
 
A cantora Negra Jaque faz o show Diário de Obá em live transmitida às 19h.
 
Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do RS (APTC-RS) comemora os 35 anos da entidade com debates sobre filmes gaúchos. Às 19h, o papo é sobre Ventre Livre (1993), documentário dirigido por Ana Luiza Azevedo, que está disponível online.


Sábado (23/5)
Às 11h, a Fundação Iberê dá continuidade à série de conversas sobre a exposição O Fio de Ariadne. A curadora Denise Mattar vai conversar com a curadora-chefe da 12ª Bienal do Mercosul, Andrea Giunta, sobre o diálogo entre as duas mostras. 

O Instituto Ling promove a primeira atividade infantil da sua programação online. A partir das 15h, o público confere uma edição especial do Contando e Cantando Histórias, comandado pelo grupo Teatro Ateliê
 
trio de cordas da OSPA formado por Diego Biasibetti (violoncelo), Leonardo Bock (violino) e Márcio Cecconello (violino) interpreta obras de Bach, Mozart e Beethoven, às 17h, em mais um apresentação do projeto OSPA Live. A direção artística é do maestro Evandro Matté.
 
A primeira edição da festa online Quarentenália acontece a partir das 19h, com participação da cantora Valéria Barcellos.

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Você viu?

O distanciamento social inspirou a jornalista Joana Berwanger, com apoio da arquiteta Julia Roizemberg, a criar o projeto Cartas na Pandemia. A ação aposta na carta de papel como forma de comunicação escrita e seleciona os participantes online. O interessado deve preencher um formulário (com uma breve descrição do que faz e do que gosta) e escolher a categoria que prefere – mandar ou receber. Joana ressalta que todos assinam um termo de confidencialidade sobre os dados recebidos.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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