Denise Baptista: Como fui parar na Guatemala ou 3 motivos que me levaram até lá

I.

O meu interesse pela Guatemala vem de longe. Começou na faculdade de Letras, com os livros do Prêmio Nobel de Literatura, o guatemalteco Miguel Ángel Asturias. El Papa Verde, Hombres de Maíz, Señor Presidente, Los Ojos de los Enterrados, obras de cunho político e social, que denunciavam, por exemplo, a exploração da indústria bananeira estado-unidense nesse pequeno pedaço da América Central. Asturias, como profundo conhecedor da cultura maia, narrava, defendia e exaltava, em suas obras, o cotidiano e os costumes do povo guatemalteco, descendentes diretos dos maias. 

II.

 Alguns anos mais tarde, quando passei sete meses em Madri cursando uma especialização em língua e literatura espanhola, dividi apartamento com Marta, uma guatemalteca. As histórias que Marta me contava sobre seu país e seu povo, e sua descendência maia, aumentaram o fascínio. Foi ela quem me falou pela primeira vez sobre o sítio arqueológico de Tikal, a maior capital do império maia, e também a última. Tikal, perdida em meio à selva tropical, tomada pela vegetação, totalmente escondida por árvores que cresceram sobre suas pirâmides e seus templos. Sem dúvida uma das maiores riquezas arqueológicas do mundo, e tão pouco conhecida.

III. 

A terceira referência ao país veio através de outra amiga, a escritora Lélia Almeida, que me presenteou com a obra da chilena Marcela Serrano, Antigua Vida Mía. A história de duas amigas, Violeta e Josefa, que tem como cenário Antigua, a primeira capital da Guatemala. 

Antigua, uma das mais bonitas cidades coloniais da América Latina, fundada pelos espanhóis em 1542 com o objetivo de ser a capital da Capitania Geral da Guatemala, um grande território constituído pelos atuais estados da Guatemala, Belize, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Costa Rica, além do estado mexicano de Chiapas. Ali a Coroa Espanhola construiu uma cidade de ruas planejadas, replicando a arquitetura das cidades espanholas, com uma Praça Maior, prédios governativos, igrejas, conventos, e a Universidade San Carlos de Guatemala, a quarta universidade construída na América, em 1676. A cidade cresceu misturando-se à colorida cultura maia local, e assim permanece até hoje.

Antigua sobreviveu a três terremotos em um mesmo século, e a inúmeras erupções de um dos três vulcões que a circundam. Porém, em 1776, devido a brigas entre autoridades civis e eclesiásticas, a capital do país foi transferida para a atual Cidade da Guatemala. O terceiro terremoto que atingiu a cidade, e a destruiu parcialmente, foi usado como motivo para a transferência. Antigua é hoje uma das mais bem preservadas cidades coloniais do Novo Mundo.

Finalmente fui conhecer a Guatemala em fevereiro deste ano. Visitei a Cidade da Guatemala, o sítio arqueológico de Tikal, no norte do país, e Antigua. Reencontrei minha amiga Marta, depois de 29 anos. E as fotos de Antigua são uma celebração à amizade e à resistência.


Claustro da Universidade de San Carlos – Antigua – Guatemala

Igreja de São Francisco – Antigua – Guatemala

Ruínas da Catedral – Antigua – Guatemala

Ruínas da Igreja barroca Nuestra Señora del Carmen – Antigua – Guatemala

Tanque de la Unión, o lavadeiro público – Antigua – Guatemala

Venderoras maias – Antigua – Guatemala

Tecelã e vendedora maia em frente à Catedral – Antigua – Guatemala

Vendedora maia Antigua – Guatemala

Vendedora de frutas na Plaza de la Unión – Antigua – Guatemala

Mulheres maias rezam na Igreja de São Francisco – Antigua – Guatemala

Janelas de Antigua – Guatemala

Janelas de Antigua – Guatemala

Janelas de Antigua – Guatemala

Pátio de Casarão colonial – Antigua – Guatemala

Pátio interno dos casarões coloniais – Antigua – Guatemala


Denise Baptista é fotógrafa amadora. Professora, tradutora e intérprete do espanhol, fez seu doutorado em Bari, na Itália. Seu Instagram, onde documenta em fotos suas viagens, é @denibaptista.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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