Dois anos após a Queermuseu, censura cresce no Brasil

Há exatamente dois anos, o Santander Cultural anunciava o encerramento antecipado da exposição Queermuseu – Cartografias da diferença na América Latina, pressionado por protestos convocados pelas redes sociais por grupos conservadores, que acusavam a mostra de arte com temática LGBT de desrespeitar símbolos e crenças cristãs. A polêmica virou assunto nacional e se tornou o símbolo de um renovado combate entre a classe artística e grupos extremistas.
No aniversário dessa data que se tornou um marco do cerceamento da cultura, o site gaúcho Nonada está lançando o Observatório de Censura na Arte, reunindo outros 25 casos de censura a exposições de arte, peças de teatro, shows musicais ou mesmo grafites em ruas de todo o país. Os casos estão organizados em ordem geográfica e também cronológica. O incidente mais recente de grande repercussão nacional – a tentativa de recolher revistas em quadrinhos na Bienal do Livro do Rio, só encerrada após a intervenção de dois ministros do STF – está lá.
Em Porto Alegre, o levantamento do Nonada registrou quatro casos de censura no período de dois anos (dois deles ocorridos divulgados recentemente aqui no Matinal – as esculturas da exposição BIO-I na Prefeitura e a mostra de charges e cartuns políticos na Câmara Municipal). O projeto prevê a atualização da página em fluxo constante, a partir das denúncias dos visitantes para o e-mail [email protected].

Independência em Risco – Felizmente, as últimas tentativas de impedir a veiculação de conteúdos artísticos, seja pela promoção da causa LGBT ou por motivos políticos, têm tido o efeito contrário na sociedade. Os casos vêm mobilizando a população a reagir contra a censura e ampliando a divulgação das obras que estavam na mira de grupos conservadores. A exposição de charges Independência em Risco, com imagens que satirizam o presidente Jair Bolsonaro (PSL), teve sua exibição interrompida na Câmara de vereadores, mas o público ganhará acesso em outros lugares: no dia 17 será exposta no Clube de Cultura e no dia 25 ganhará às ruas numa ação do Sintrajufe. A exposição pode inclusive atravessar o oceano, e ser exibida também em Paris.


Você também precisa saber

Contas Públicas – O governador Eduardo Leite (PSDB) articula, junto à Câmara dos Deputados, a revisão dos critérios de distribuição de recursos do pré-sal. Se der certo, a medida poderá significar até 1,09 bilhão de reais a mais para o governo do Rio Grande do Sul ainda em 2019, nas contas do Piratini. Esse dinheiro viria da divisão de recursos da cessão da área do pré-sal na Bacia de Santos. Uma Proposta de Emenda à Constituição foi aprovada pelo Senado na semana passada, prevendo a partilha de valores entre estados e municípios. Porém, como houve alteração no texto, para um critério que não é favorável ao RS, o governador foi ao plenário da Câmara falar diretamente com os deputados – que farão uma última análise do texto. Caso obtenha êxito, o recurso projetado, ainda que não seja suficiente para cobrir o déficit estimado para este ano, pode ser suficiente para que o Estado volte a pagar os salários em dia até dezembro.

PPP – O fornecimento de água e tratamento de esgoto da Capital, hoje feito pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), deve ir à leilão para ser explorado pela iniciativa privada até meados de 2020. O consórcio que vai iniciar os estudos para a implementação da parceria público-privada foi escolhido na semana passada. Ainda que o Dmae venha apresentando superávit – só em 2018 o saldo positivo foi de 91,4 milhões de reais –, o prefeito Marchezan (PSDB) colocou o saneamento na fila das privatizações por entender que assim as obras para universalizar o acesso à água e saneamento sairão mais rápido.

Há vagas – O transporte por aplicativo preocupa os ganhos não apenas de taxistas, ônibus e lotações. O fenômeno Uber tem causado prejuízos também a donos de estacionamentos no Centro Histórico de Porto Alegre. A queda média de rendimentos dos donos desse tipo de estabelecimento está em 25%, de acordo com o sindicato da categoria. Além do efeito Uber, há a percepção, também, de que a geração atual demora mais tempo para tirar a carteira de habilitação. O reflexo da situação é a deflação ou congelamento dos preços em diversos estacionamentos da região. Se por um lado é bom para o motorista, para os manobristas é o contrário. E a redução no número de empregos no setor já começa a se tornar realidade.

Outros links:

  • A pista do Aeroporto Salgado Filho precisou ser fechada por 20 minutos ontem em razão da fumaça dos sinalizadores que a torcida do Inter usou na homenagem os jogadores, que embarcavam para Curitiba.
  • Sentiu calor ontem, né? Não à toa. Segundo a MetSul, com os 36,1°C, apenas seis dias deste ano foram mais quentes que segunda. Em pleno inverno, o calor foi mais intenso que 90% dos dias do verão.
  • Devido ao contingenciamento, a UFSM cortou o uso de ar-condicionado em todas as salas e suspendeu o ônibus que circula dentro do campus.
  • Uma empresa vai doar tinta antipichação para a a prefeitura aplicar no recém reinaugurado Largo dos Açorianos.
  • Ministério Público do RS pediu a suspensão da nomeação de produtora rural escolhida para chefiar o Parque da Lagoa do Peixe.
  • O Governo do Estado entrou com recurso para tentar derrubar a liminar que impede a retomada da área do Cais Mauá.
  • O prefeito de Porto Alegre sanciona hoje o reajuste da planta do IPTU.
  • E atenção: mais de 40 bairros devem ficar sem água hoje na Capital.

Esportes

O Inter vai para a final da Copa do Brasil com as lições aprendidas na queda na Libertadores. É o que garantiu o volante Edenilson, antes do embarque para Curitiba, onde o time colorado encara o Athletico amanhã. “É uma final, quem errar menos vai levar o título”, disse ele. No lado tricolor, o dia foi de folga. Fora de campo, o Grêmio divulgou a programação de aniversário de 116 anos do clube, completados no próximo domingo.

E a noite foi de festa para o Juventude. O time de Caxias do Sul goleou o Imperatriz no Alfredo Jaconi por 4 a 0 e carimbou o passaporte para a Série B de 2020. Antes de finalizar a temporada, a equipe da Serra tentará chegar à final da Série C, enfrentando o Náutico.


Agenda

  • O Porto Alegre em Cena começa hoje. Abre o festival o espetáculo ucraniano Dakh Daughters Band – Freak Cabaret, no Theatro São Pedro. A programação, que vai até o dia 23, está aqui.
  • O livro de crônicas Quando eu fiz 69, do jornalista Flávio Dutra, será lançado nesta terça no Chalé da Praça 15.
  • Hoje tem o lançamento do documentário Alexandra, na CCMQ. Dirigido por Luiz Alberto Cassol, trata da trajetória do feminismo da jornalista Alexandra Zanela, que estará presente.
  • Hoje tem o lançamento do 61º Prêmio Ari/Banrisul de Jornalismo. A abertura será na sede da entidade, com o painel Mulheres Vencedoras do Prêmio ARI/Banrisul, apresentado por jornalistas que conquistaram o troféu no passado.
  • O Cinema da Ásia retoma as sessões nesta terça, no Capitólio. Aqui está a programação da mostra, que segue até o dia 18.
  • Luiz Mauro Filho e Dinho Oliveira tocam um Tom Jobim instrumental no Chapéu Acústico.
  • A performance de bailarinos Chá de Memórias: O Presente Andante do Corpo está em cartaz na CCMQ.
  • O pianista pernambucano Luis Felipe Oliveira apresenta recital na Casa da Música Poa, com peças de Beethoven, Chopin e Brahms.

Você viu?

Uma reportagem publicada no Jornal do Comércio recentemente se debruçou sobre o fenômeno das oficinas de escrita criativa, que têm se proliferado no País e, especialmente, no Rio Grande do Sul. O texto reúne depoimentos de escritores consagrados, que devem parte de sua formação a estes tipos de cursos, como Claudia Tajes, Luisa Geisler e Daniel Galera: “Eles fazem parte do processo de profissionalização da atividade, e isso pode ser visto com bons olhos: tem a ver com a sobrevivência mesmo das pessoas, em se dedicar à atividade da escrita sem depender de outro empregos, de outras atividades para se sustentar”, disse Galera. O percursor das oficinas literárias em Porto Alegre, Luiz Antonio de Assis Brasil, também foi entrevistado e vê com bom humor o boom na área: “De fato: hoje em dia, praticamente todo escritor é professor de oficina literária”. Para o autor de Cães da Província o aumento no interesse em dominar a técnica da escrita é positivo.