Está mais seguro viver no RS, segundo os dados oficiais

Apesar da morte de um policial militar registrada nesta madrugada durante um confronto com criminosos na zona sul de Porto Alegre, o pior da crise parece que passou e, pelo menos de acordo com dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, o Rio Grande do Sul está mais seguro. Pela primeira vez desde 2011, o Estado termina o primeiro semestre com menos de mil assassinatos – foram 962 registros, queda de 24% em relação aos 1.265 do mesmo período de 2018 – e já distante dos 1.610 de 2017.
Ainda que, na média, cinco pessoas percam a vida para a violência por dia em solo gaúcho, a tendência de menos mortes, que se reflete também em Porto Alegre, é acompanhada por uma redução no número de roubos e furtos, e só no indicador de roubo de veículos a queda foi superior a 30%. E mesmo os ataques a bancos, ruidosos principalmente em pequenas cidades no interior, estão baixando, segundo a SSP.
Especialista em segurança pública, o jornalista Humberto Trezzi recomenda cautela ao se celebrar os números, ainda que os considere positivos. Ele apontou dois fatores que parecem ter contribuído para o fenômeno: “Um deles é a transferência maciça de líderes de facções para prisões de segurança máxima, em outros Estados”, analisou. “O outro fator é que as próprias facções parecem ter percebido que assassinatos não são bons para os negócios”, complementou, citando também que há áreas territoriais delimitadas entre as próprias facções, o que evita confrontos.

Crimes contra a mulher – Os dados dados da SSP, entretanto, à violência contra a mulher. Ainda que sigam na tendência de baixa na comparação entre semestres, o mês de junho registrou, em comparação com o mesmo mês de 2018, um crescimento nas tentativas de feminicídio. De maio para junho, aumentou o número de lesões corporais. Por sinal, dos 497 municípios gaúchos, em 406 pelo menos uma mulher foi agredida e procurou a polícia. Comum, esse crime ocorre tanto em grandes cidades como Porto Alegre como nos municípios de Santa Cecília do Sul e Porto Vera Cruz, onde a população, somada, não chega a 4 mil pessoas.


Você também precisa saber

Austeridade gaúcha – Mesmo com as prováveis privatizações das companhias da área de energia, a austeridade fiscal vai continuar no Rio Grande do Sul no próximo ano. Com a base do governo conseguindo evitar emendas, o plenário da Assembleia Legislativa aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano que vem, prevendo déficit de 4,3 bilhões de reais e congelamento de gastos. Uma das instituições afetadas pela medida, o MP já confirmou que irá ingressar na Justiça contra a LDO aprovada.

Crise no Paço Municipal – A terça-feira foi marcada pelo rompimento das relações entre o PP e a base de apoio do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). A gota d’água foi uma série cartas trocadas entre as lideranças dos dois partidos nos últimos dias – os progressistas questionaram a demissão de CCs e os tucanos acusavam os aliados de votar com a oposição. Antes de uma reunião onde o PP iria deliberar se sairia ou não do governo, Marchezan se antecipou e determinou o afastamento da sigla das articulações políticas da Prefeitura. Na reunião, o PP anunciou que não irá acatar a decisão porque o partido foi eleito na chapa majoritária – o vice-prefeito, Gustavo Paim, que está fora do país, é progressista.

Sétima arte – Foram anunciados ontem os filmes que irão concorrer na 47ª edição do Festival de Cinema de Gramado. O festival, que acontecerá entre os dias 16 e 24 de agosto, tem sete longas latinos, sete longas nacionais e 20 curta-metragens na disputa, e prestará homenagens a diretora e atriz Carla Camurati (que receberá o Troféu Eduardo Abelin), ao ator argentino Leonardo Sbaraglia (com o Kikito de Cristal) e a Lázaro Ramos (com o Troféu Oscarito). O anúncio foi marcado por um desabafo dos organizadores do evento, que lamentaram o momento de dificuldade para captação de recursos para eventos culturais no Brasil. A lista dos filmes indicados está disponível aqui.

Outros links:

  • Na Assembleia, a CCJ encerrou o semestre sem analisar a proposta de Any Ortiz (PPS) para acabar com a aposentadoria especial dos deputados.
  • Em Caxias do Sul, faltam preservativos nas Unidades Básica de Saúde.
  • Foi inaugurada ontem a bilheteria para os barcos de passeio turísticos que saem da Orla do Guaíba.
  • Ainda sobre o atracadouro da Orla: o catamarã, que faz a travessia entre Guaíba e Porto Alegre, está parando ali aos sábados e domingos.
  • Quatro empresas estão na disputa da licitação para reativação dos relógios de ruada Capital.
    E com a iminência da votação da Reforma da Previdência, sindicatos farão uma vigília diante da sede do INSS em Porto Alegre no fim da tarde.

Esportes

Passado um mês, a Dupla Gre-Nal enfim volta a campo hoje para a disputa da Copa do Brasil. Às 19h15, o Grêmio recebe o Bahia na Arena, naquele que poderá ser o último jogo de Everton com a camisa tricolor. Sondado pela Europa, o atacante disse que poderá falar sobre seu futuro após a partida. Mais tarde, às 21h30, o Inter encara o Palmeiras, em São Paulo, contando com os retornos de Moledo e Dourado, desfalques antes da parada devido a lesões. Fora de campo, a direção teria recebido uma terceira proposta do futebol árabe por Edenilson.


Agenda

  • Instituto Goethe promove hoje e amanhã o Cuidado, Arte!um evento que discute censura e liberdade artística.
  • Estreia hoje no CineBancárioso doc Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar, de Marcelo Gomes, que mostra uma cidade em que moradores trabalham todo o ano para aproveitar a festa.
  • Tem show de reggae da banda Produto Nacional, no Opinião; e de rock da Monema, no Gravador Pub.
  • Aos que quiserem uma apresentação cheia de ritmos brasileiros, nossa sugestão é a Tribo Brasil, no Ocidente Acústico.
  • Nei Lisboa apresenta outra vez seu show intimista no Clube de Cultura.

Você viu?

O caso das casinhas de cachorro construídas na rua Rua Ângelo Crivellaro, no bairro Jardim do Salso, que serão demolidas por ordem da Prefeitura de Porto Alegre, gerou mais um arranhão na imagem já negativa do prefeito Marchezan Júnior. Ele foi duramente criticado no Instagram pela defensora de animais e apresentadora de TV Luisa Mell, que tem 2,9 milhões de seguidores na rede social. Luisa publicou uma colagem de imagens que mostra Marchezan segurando um cachorro no colo durante a campanha eleitoral, lembrou que ele acabou com a Secretaria Especial dos Direitos Animais e agora o responsabiliza por desalojar os cães comunitários, em plena onda de frio. O prefeito foi ao Facebook se defender. Afirmou que “a rua não é o local adequado para o bem estar de ninguém” e confirmou que a Prefeitura pretende remover os cães para o canil municipal até que encontrem um lar.