Leite anuncia novas mudanças no distanciamento controlado

Piratini anuncia mudanças no modelo de bandeiras

O Governo Estadual anunciou ontem novas mudanças no modelo de classificação de bandeiras para o enfrentamento à Covid-19. Após demanda dos prefeitos, o número de pacientes internados em uma região mas residentes em outra passará a ser considerado no cálculo. A taxa de ocupação de leitos é um dos principais indicadores que leva à bandeira vermelha, junto do total de óbitos pela doença. A interpretação é que o doente de fora diz mais sobre a transmissão do vírus na sua cidade de origem, e a estratégia do governo é justamente tentar frear a disseminação da Covid-19, segundo destacou o governador Eduardo Leite (PSDB). 

“Vamos ver o saldo do que a região enviou e o que recebeu de casos. Se a bandeira se agravar por ter mais pacientes de outras regiões, isso será considerado”, garantiu Leite, que afirmou ainda que a intenção do modelo não é “punir regiões”. Disse também que havia um princípio de solidariedade ao incluir os doentes de fora na avaliação até então. Mas a medida não era consenso entre autoridades. Nos últimos dias, prefeitos da região de Passo Fundo solicitaram que os leitos da região fossem reservados apenas a municípios da área (🔒), segundo informou a coluna de Rosane de Oliveira, em Gaúcha ZH.

Em junho, ao comentar as internações na Capital de residentes de outros municípios, o diretor do Departamento de Regulação Estadual da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul, Eduardo Elsade, observou que a preocupação era em relação à capacidade de resposta do sistema de saúde, e não à força do vírus na população.

A outra mudança no sistema de bandeiras é a criação de uma nova região de saúde, a 21ª do distanciamento controlado, justificada pela abertura de 40 leitos de UTI em hospitais de São Jerônimo, Charqueadas e Camaquã. A 21ª região será composta por 19 localidades, que, até então, dependiam de vagas de UTI na Região Metropolitana. A nova região, porém, passará a ser contabilizada nas bandeiras a partir da 14ª rodada do plano, cujo mapa prévio sai no fim da próxima semana – o da 13ª será liberado hoje à tarde.


O que mais você precisa saber

Talvez um sinal de platô, mas letalidade em alta – O número de mortes por Covid-19 no Rio Grande do Sul já supera as que foram causadas por homicídios e acidentes de trânsito ao longo de todo o ano de 2019. Ontem, pelo terceiro dia seguido, o Estado marcou novo recorde no registros de mortes em 24 horas – foram 75 novas vítimas computadas. A letalidade segue em ascendência, mas começam a aparecer sinais, ainda inconclusivos, de uma estabilização na ocupação de leitos de UTI, principalmente após cerca de seis semanas de grande demanda. “Traz alívio perceber que estamos em direção a um platô e, após esse platô, se espera que ocorra uma redução nos casos de infecção no Estado”, conta o médico infectologista do Hospital Conceição, André Luiz Machado da Silva, que fez também uma ressalva em seu diário para GaúchaZH: “Isso não deve diminuir o nosso nível de atenção, as recomendações quanto aos cuidados que a população deve manter”. Até porque há hospitais de Porto Alegre com lotação máxima nos leitos de tratamento intensivo, como o Moinhos de Vento. 

Sugestão de retorno às aulas pelo ensino superior – A maioria entidades consultadas pelo Governo do Estado entende que as aulas presenciais no Rio Grande do Sul deverão retornar, de maneira escalonada, pelo ensino superior. O levantamento foi apresentado pelo governador Eduardo Leite ontem, durante a live de atualização da pandemia no RS. A pesquisa feita pelo Piratini apresentou dois cenários distintos – um onde os órgãos, como conselhos, secretarias e sindicatos, tinham opção livre, e outro em que eles deveriam optar por modelos fechados, sugeridos pelo governo. Leite disse considerar as respostas importantes para a reflexão do assunto, mas que o resultado não será, necessariamente, a decisão que será tomada. Ao contrário de outras vezes, ele não fez uma previsão de retorno às escolas. As aulas estão suspensas desde a segunda quinzena de março.

Governo sonda potenciais investidores da Rodoviária – O Governo do Estado irá realizar quatro dias de reuniões em agosto que irão tratar sobre a concessão da Rodoviária de Porto Alegre. O objetivo do Piratini é fazer uma sondagem a possíveis investidores antes de lançar o edital de concessão, que prevê investimentos de 87,4 milhões de reais ao longo de 25 anos de contrato. Quem vencer a licitação terá de cumprir uma série de melhorias no local, atendendo a demandas de uma lista, que foi atualizada de 2019 para cá, com a inclusão de novas obras no entorno da estrutura, o que causou uma elevação no investimento superior a 10 milhões de reais. O governo ainda aguarda homologação junto à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS e considerações do Tribunal de Contas do Estado para lançar o edital, o que está previsto para ocorrer em setembro. Especialistas elogiaram a ação do Piratini, mas alertaram que é necessário entender os impactos da pandemia no setor de transportes. Dados da Federação das Empresas de Transportes Rodoviários do Rio Grande do Sul indicaram que já há sinais de reação: no início da pandemia, o movimento de usuários da rodoviária caiu 90%. Em julho, a queda era de 70%.

Outros links:

  • Morreu ontem o vice-presidente e membro do Conselho de Administração do Grêmio Marco Bobsin, de 68 anos. Ele teve Covid-19 em março e ficou internado mais de 100 dias no Hospital Moinhos de Vento. No sábado, ele voltou a ser internado e não resistiu.
  • O Ministério Público arquivou o pedido de investigação da doação de um terreno em Guaíba, onde será construído o CT do Inter. E, falando em futebol, ficou para hoje a decisão sobre a retomada de jogos no Beira-Rio e na Arena.
  • A Prefeitura de Porto Alegre entrou com recurso contra decisão do TCE, que suspendeu o processo de concessão do Mercado Público, na semana passada.
  • O aeroporto Salgado Filho fará a medição de temperatura dos passageiros por câmera térmica. O aparelho foi instalado próximo ao embarque doméstico e pode medir, em três minutos, a temperatura de 500 pessoas.
  • O RS vai inaugurar novo centro de triagem para quarentena de 14 dias antes de os presos entrarem, em definitivo, no sistema prisional.
  • presidente Jair Bolsonaro estará hoje em Bagé, onde irá inaugurar duas unidades do Minha Casa, Minha Vida e conhecer a primeira escola cívico-militar em operação no RS.
  • Lançada ontem, a ferramenta Melhor Hora indicará os horários com menor movimento para compras em estabelecimentos como mercados, farmácias, ferragens, entre outros.
  • Mais um evento tradicional da cidade foi cancelado. Sem Acampamento Farroupilha, a Semana Farroupilha será toda virtual.
  • Hoje, às 10h, o Museu de Ciência e Tecnologia da PUCRS fará uma live no TikTok com o tema “O espaço de exposição do Museu”. A transmissão poderá ser acompanhada no perfil da instituição (@museudapucrs).


Carta da editora: Jornalismo que faz diferença

Por Marcela Donini

Duas pautas que publicamos nos últimos dias dizem muito sobre o propósito do nosso trabalho. A primeira delas foi veiculada na semana passada e apontava irregularidades na contratação do maior albergue de Porto Alegre. A Fasc contratou, sem licitação, um instituto presidido pelo filho do agora ex-secretário de Desenvolvimento Social, Itacir Flores (MDB), depois da sua posse. No dia seguinte, informamos também que o valor repassado pela prefeitura ao Instituto Renascer dobrou. Por fim, o secretário pediu exoneração do cargo, dois dias depois da primeira revelação do Matinal e após o Ministério Público abrir investigação para apurar as possíveis fraudes com base na nossa reportagem.

Chegamos a essa história enquanto a equipe de reportagem apurava outra pauta e recebeu uma denúncia. Os repórteres Sílvia Lisboa e Pedro Nakamura buscaram os documentos oficiais, consultaram advogados e tentaram contato, sem sucesso, com a Fasc, o secretário e seu filho, Thiago Flores. Por que fomos atrás dessa informação? Porque a gestão dos recursos públicos é de extrema importância para toda a cidade. Ainda mais em ano de eleições e no meio de uma pandemia que tem demandado gastos para lidar com problemas novos ou antigos que foram agravados pelo coronavírus.

Contextualizar e esclarecer

A outra reportagem que destaco pra vocês foi veiculada na quarta-feira. Um conteúdo com formato e proposta diferentes do caso do albergue. Há semanas, vínhamos acompanhando o que diz o noticiário sobre a adoção do “kit-Covid”, com medicamentos administrados em  pacientes com coronavírus no estágio inicial dos sintomas e até mesmo antes da testagem. A partir de um e-mail de uma assinante nossa, médica, que defende o “tratamento precoce”, decidimos aprofundar o assunto. Trocamos algumas mensagens e ela enviou uma série de estudos para justificar sua posição e sugerir a pauta. A assinante, que pediu para ter preservada sua identidade, estava determinada a colaborar com o debate público, assim como nós. Por isso, apesar de todas as evidências que já conhecíamos até então serem contrárias à alternativa, demos um crédito e fomos tentar entender que estudos eram esses e por que ainda há quem defenda remédios sem base científica contra a Covid-19. 

O jornalista Felipe Franke, estudante de Medicina na UFRGS e titular da seção Microscópio, mergulhou nos estudos científicos para entender qual seu grau de rigor, o que diziam – e o que não diziam. A repórter Naira Hofmeister falou ainda com prefeituras que estão adquirindo o “kit-Covid” para tentar entender suas razões. Como era de se esperar, nenhuma delas citou que poderia haver uma motivação eleitoral, mas, especialmente em ano de eleições municipais, não se pode descartar essa possibilidade. A dupla ouviu ainda professores e médicos para alertar a população sobre os riscos individuais e coletivos do uso indiscriminado desses remédios.

Por fim, costuramos informações do noticiário nacional, contexto que costumamos dar na nossa newsletter diariamente e que, acreditamos, ajuda a situar os leitores em meio à enxurrada de dados que inundam nossas redes. Tudo isso resultou num texto mais longo do que nossa denúncia sobre a gestão de um albergue em Porto Alegre. E que, na nossa avaliação, esclareceu diversos pontos ligados ao tratamento da Covid-19. Além disso, para combater a desinformação em torno do assunto, publicamos cards com informações checadas pela reportagem para veicular em nossas redes sociais e disparar para os assinantes do Zap Matinal, serviço de boletins diários no WhatsApp (ainda não assina? Manda um “oi” por aqui).

O impacto representado pela demissão do secretário mostra o quanto é importante o papel do jornalismo quando ele é independente do poder. Para que a gente continue firme no nosso propósito de produzir reportagens que façam diferença na sua vida, seja investigando o poder ou esclarecendo temas ainda obscuros, queremos contar com vocês. Estamos abertos a denúncias sobre suspeitas de irregularidades no setor público ou privado, especialmente sobre histórias de Porto Alegre. Recebemos essas sugestões pelo e-mail bomdia@matinal.news e vamos checar aquelas que tiverem interesse público.

E, para que a gente publique mais conteúdo do que hoje, precisamos do seu apoio. Vocês podem fazer isso contratando planos pagos, que dão direito a conteúdos exclusivos, e também compartilhando nosso trabalho com amigos. As eleições municipais vêm aí, e como o foco do nosso jornalismo é local, queremos planejar uma cobertura à altura do que vocês merecem. Contamos com sua ajuda!

Marcela Donini é editora-chefe do Grupo Matinal
marcela@matinaljornalismo.com.br


Cultura

O inquietante “Desejo de Lacrar” de Negro Leo

Capa do disco “Desejo de Lacrar”. Foto: Divulgação ybmusic/QTV Label

Complexo, caótico, inquietante – também reflexivo, melódico e dançante – são adjetivos que emergem da escuta dos 29 minutos de Desejo de Lacrar, novo álbum de Negro Leo. Lançado nas plataformas digitais, o disco é o nono trabalho solo do cantor e compositor, conhecido por sua sonoridade inventiva e transgressora de fronteiras estéticas. Clique aqui para conferir a entrevista com o artista.


Você viu?

A batalha judicial envolvendo o cachorro-quente mais tradicional de Porto Alegre ganhou um novo desfecho. Pela decisão da 2ª Turma do TRF4, o nome Cachorro do Rosário segue pertencendo à rede de lancherias espalhada por sete cidades gaúchas, e não à carrocinha ao lado do Colégio Marista Rosário. Osmar Ferreira Labres, 82 anos, quem iniciou com o negócio na década de 1960, entrou em 2012 com uma ação para ficar com a marca, colocando no lado contrário do embate o filho de criação Eli Monteiro da Rosa, 57 anos. Rosa havia registrado o nome no Instituto Nacional da Propriedade Industrial sete anos antes e havia ganhado na primeira instância. Labres, o pai, deve recorrer da decisão.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

A revista digital Parêntese é enviada todos os sábados aos assinantes premium do Matinal Jornalismo. 

Para receber a próxima edição, assine o Matinal. Assim você apoia o jornalismo de Porto Alegre e receba todos os nossos produtos.

Receba as newsletters do Matinal! De segunda a sexta, trazemos as principais notícias de Porto Alegre e RS. Na quinta, enviamos uma agenda cultural completa por Roger Lerina. No sábado sai a Parêntese, com reportagens, entrevistas e análises exclusivas.