Leite propõe mais autonomia aos prefeitos

Piratini formaliza proposta por mais participação de prefeitos no distanciamento controlado

O Governo no Estado formalizou proposta de dar maior autonomia aos municípios no modelo de distanciamento controlado, que inicia hoje a sua 12ª semana. O principal aceno do governador Eduardo Leite (PSDB) aos prefeitos é a possibilidade de adoção das restrições da bandeira de nível imediatamente inferior à qual os municípios foram classificados. Essa mudança ocorre na semana seguinte de uma reunião entre o Piratini e a Famurs. 

Para restringirem menos, os municípios deverão chegar a uma decisão unânime dentro de sua região Covid e apresentarem o embasamento técnico ao governo. Caso não haja consenso, segue valendo a classificação do Estado. Individualmente, as prefeituras poderão apenas adotar medidas que reforcem o distanciamento social. “Queremos trazer os prefeitos para a gestão do plano. É fundamental termos os municípios como parceiros. Buscar consensos, jogar juntos, em defesa da saúde pública e da vida”, afirmou Leite. Apesar da mudança, o governo seguirá fazendo as classificações, com base nos critérios e dados já usados hoje. 

O modelo de distanciamento controlado é alvo de uma reclamação constitucional no Supremo Tribunal Federal, assinada pelos deputados federais da bancada gaúcha Sanderson (PSL), Bibo Nunes (PSL), Marcel Van Hattem (Novo), Maurício Dziedrick (PTB) e o senador Luis Carlos Heinze (PP). Conforme eles, a decisão de abrir ou fechar a economia é dos prefeitos e não do governador.

Repetição do mapa – Na atualização de ontem, pela primeira vez o Governo do Estado repetiu o mapa da fase anterior do distanciamento controlado. Logo, Porto Alegre, Capão da Canoa, Taquara, Novo Hamburgo, Canoas, Palmeira das Missões, Passo Fundo e Caxias do Sul seguem na bandeira vermelha. Na prévia do mapa, apresentada na sexta-feira, 14 das 20 regiões haviam sido classificadas como zonas de alto risco de transmissão para o coronavírus. Seis apelações, das regiões de Santo Ângelo, Cruz Alta, Santa Rosa, Santa Cruz do Sul, Pelotas e Bagé, foram aceitas, e elas seguem na bandeira laranja.


O que mais você precisa saber

Internações por Covid-19 desaceleram, mas quadro é grave na Capital – Nos últimos sete dias, o crescimento de internações por coronavírus nos leitos de UTI da Capital diminuiu. A ocupação aumentou 8,9% agora frente a 24,9% na semana anterior. Além disso, na tarde de ontem, a cidade registrava 306 internados por Covid-19, 10 a menos do que na véspera. Foi a primeira vez, em 16 dias, que caiu o número de pacientes infectados pela doença nas UTIs de Porto Alegre. Porém, o cenário segue grave. Os pacientes com diagnóstico de Covid-19 representavam 44% dos 683 leitos ocupados ontem à noite. Médicos e especialistas afirmam que não é possível falar em tendência de queda ou estabilidade, até porque a demanda de doentes graves pode variar bastante em questão de horas – por sinal o tempo de espera por um leito de tratamento intensivo na Capital está hoje em cerca de 12 horas. Em maio, a espera era de cinco horas. Além disso, a taxa de ocupação próxima a 90% é preocupante. Para amenizar a situação, hospitais da cidade mobilizam recursos para tentar entregar, nos próximos dias, pelo menos 50 novos leitos para tratar pacientes com Covid-19 pelo SUS. As novas medidas de restrições na cidade, que seriam anunciadas hoje, devem ficar para amanhã. O esforço é para manter a Capital na meta de 55% de isolamento social, índice atingido no último domingo.

Dilma vê falta de controle da pandemia no Brasil – Em entrevista ao Sul21, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), criticou a condução do combate à pandemia no Brasil. Um dos exemplos citados foi a baixa testagem no país, ao contrário do que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS): “Não testar é sinônimo de que não há gestão nessa crise”, definiu. Para ela, o fato do governo não ter feito frente às pressões de empresários por flexibilizações enfraqueceu a resposta ao coronavírus. Classificando como “um balé de doidos” a ida de surpresa do presidente Jair Bolsonaro e empresários ao STF, em maio, Dilma enfatizou que “nenhuma autoridade pública controla o grau da pandemia” e que as flexibilizações só deveriam ocorrer quando os casos e mortes parassem de subir: “Ou você controla, e a partir daí você consegue abrir, flexibilizando, com teste, ou vai ser isso, abre e fecha, abre e fecha. E você não vai ter condição de recuperar”. Ao longo de uma hora e meia de conversa, a ex-presidente também falou sobre sua rotina, Lava Jato, impeachment, militares na política, entre outros assuntos.  

Dados sobre força de trabalho na pandemia são insuficientes – Atividades essenciais, como supermercados, transporte e outras, como comércio, carecem de informações sobre como a pandemia afetou a força de trabalho nas categorias, já que faltam dados como número de funcionários infectados ou afastados em razão da pandemia. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre, o Sindicato dos Lojistas do Comércio de Porto Alegre (Sindilojas) e a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do RS não têm levantamentos completos. Para o Sindilojas, no entanto, a percepção é de que comerciantes não tiveram problemas de operação por ausência de funcionários. O principal desafio é a queda no faturamento. Já a Associação Gaúcha de Supermercados informa que o maior número de casos de contaminação entre os funcionários ocorreu na primeira semana de março. Na Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do governo federal, não existe classificação específica para a Covid-19. Ou seja, não é possível dimensionar o impacto da pandemia na força de trabalho pela quantidade de auxílios-doença concedidos pela Previdência Social.

Outros links:

  • Os casos de contágio por Covid-19 cresceram bastante entre indígenas da etnia Kaingang, principalmente no Norte e Noroeste do Rio Grande do Sul. O alerta é do Conselho Indigenista Missionário.
  • A entrega dos envelopes com as propostas para concessão do Mercado Público será mantida pela Prefeitura, apesar da ação do TCE. De acordo com Marchezan, até a abertura dos envelopes “a Prefeitura vai buscar esclarecer as dúvidas do Tribunal”.
  • Na Capital, o preço médio dos imóveis comerciais à venda acumula uma queda nominal de 5,18% em 12 meses. Em junho, a queda no preço do metro quadrado se intensificou, passando para -0,40% sobre maio.
  • A desistência do Mercado Livre de instalar um centro de distribuição no RS segue gerando questionamentos. A prefeitura de Gravataí ajuizou uma ação solicitando que o governo apresente documentação provando que deu andamento às negociações.
  • A pandemia atingiu em cheio a indústria do turismo em Porto Alegre. Com cerca de 16 mil leitos e 8 mil apartamentos, distribuídos em 100 hotéis, a taxa de ocupação não passou dos 20% nas últimas semanas.
  • De quanto você precisa para estar entre os 10% mais ricos da população de Porto Alegre ou outras capitais do Brasil? Este gráfico dá uma ideia.
  • Delegacias de Canoas e Porto Alegre estão transferindo os presos para a Penitenciária Estadual de Canoas, Penitenciária de Arroio dos Ratos e Penitenciária de Porto Alegre, para cumprirem 14 dias de quarentena e evitar superlotação.
  • Jogos de Grêmio, Inter e São José não devem ocorrer em Porto Alegre pelo menos nos próximos 15 dias. Amanhã, às 15h, ocorre a última rodada do returno do Gauchão. Único mandante da Capital, o Inter jogará em Alvorada.
  • E o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) termina a quarentena e retoma viagens. Sexta ele vem ao Rio Grande do Sul.


Assine o Matinal e apoie o jornalismo local.


Cultura

Da abstinência de pressa à busca do presente

A escritora Julia Dantas. Foto: Felipe Franke

A escritora Julia Dantas compartilhou sua leitura dos depoimentos que integram o blog Diário da Pandemia, organizado por ela desde 18 de março, que reúne mais de 120 textos escritos durante o período de distanciamento social. Procrastinação, abstinência de pressa e dificuldades para viver o presente integram alguns dos sintomas mencionados nos relatos. “Antes, havia aulas, reuniões, grupos de pesquisa, compromisso de almoço, aniversários. A vida precisava se organizar ao redor e entre esses pontos pré-estabelecidos. O fim de semana era diferente dos outros dias. Não mais. Sem os pontos fixos, todo o resto se desestruturou. Me tornei completamente dona do meu tempo e não faço a menor ideia do que estou fazendo com ele”, descreve a escritora no site do Roger Lerina.

AgendaA obra de Clarice Lispector é tema de encontro virtual promovido pela Secretaria de Cultura de Porto Alegre, às 18h30, com a professora da UFRGS Márcia Ivana de Lima e Silva.

Às 21h, a série Ato Criativo do Instituto de Cultura da PUCRS recebe a escritora Conceição Evaristo e o ator Lázaro Ramos numa conversa ao vivo sobre arte, cultura e suas carreiras. 

Saudade de Porto Alegre, né, minha filha? é o tema da live do Sarau Elétrico, às 21h, que terá canja de Nei Lisboa

Mais dicas? Acesse


Você viu?

Filipe Macedo Fraga não quis brinquedos ou eletrônicos como presente em seu aniversário de 12 anos. Pediu pequenas quantias em dinheiro. Sem revelar o que faria com o que arrecadasse, avós, tios, pais e amigos fizeram suas contribuições, que totalizaram quase 600 reais. O motivo real só foi descoberto quando o jovem pediu à mãe, Luciane, ajuda para comprar cestas básicas no mercado, para serem doadas a pessoas de baixa renda do bairro Rubem Berta, zona norte da Capital, onde Filipe mora com a família. O garoto escolheu o Centro da Juventude do bairro para fazer a entrega dos alimentos.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

A revista digital Parêntese é enviada todos os sábados aos assinantes premium do Matinal Jornalismo. 

Para receber a próxima edição, assine o Matinal. Assim você apoia o jornalismo de Porto Alegre e receba todos os nossos produtos.

Receba as newsletters do Matinal! De segunda a sexta, trazemos as principais notícias de Porto Alegre e RS. Na quinta, enviamos uma agenda cultural completa por Roger Lerina. No sábado sai a Parêntese, com reportagens, entrevistas e análises exclusivas.