O Intendente da mobilidade

Nome: Alfredo Augusto de Azevedo
Partido: Partido Republicano Rio-Grandense
Período que governou: 12/10/1892-03/01/1896

Por Stéfani Fontanive

Um novo cargo e um novo mandatário. Em 1892, o “prefeito” de Porto Alegre ainda não tinha esse nome, mas deixava de ser apenas o administrador escolhido por presidir o Conselho Municipal. Agora, o cargo máximo estava sob controle de uma Intendência, e o primeiro a adotar a nova nomenclatura foi Alfredo Augusto de Azevedo, que assumiu por indicação do governador (então chamado “presidente” do Estado) Júlio de Castilhos.

Empossado no dia 12 de outubro, Azevedo promulgou a primeira Lei Orgânica do Município, que havia sido discutida e aprovada pelo administrador provisório que o antecedeu, Domingos de Souza Brito. A lei definia as funções do Conselho Municipal, do intendente, seu vice e demais subordinados. Responsáveis por “dirigir, fiscalizar e defender os interesses do município”, a partir dali os intendentes deveriam ser eleitos para mandatos de pelo menos quatro anos, embora o período nem sempre fosse respeitado. Uma inovação em uma cidade que, até então, nunca havia visto um governante passar dois anos inteiros na administração. Em seu momento, Azevedo se tornaria o mais longevo governante de Porto Alegre – três anos e dois meses –, recorde que logo seria superado.

Tão logo tomou posse, o intendente determinou como medidas urgentes a reparação e construção de estradas, pontes e calçamentos. Muito antes de os automóveis povoarem as ruas da Capital, Azevedo foi uma espécie de pioneiro da mobilidade: foi em seu governo que o calçamento de vias como a Independência e a Voluntários da Pátria começou, além de uma série de desapropriações para abrir novos caminhos pela cidade. Também foi o responsável pelo loteamento dos bairros Glória e Medianeira e pelo aterramento parcial da rua Teixeira de Freitas, também na zona sul.

Para melhorar a mobilidade urbana, Azevedo proibiu as carretas de boi de circularem dentro de Porto Alegre, criando um paradouro oficial: o campo da Redenção. Autorizou a Carris, que já existia havia vinte anos, a implantar duas novas linhas de bonde, no que hoje são os bairros Independência e Floresta. Seu governo organizou não apenas as ruas, mas também seus prédios, por meio da criação do Código de Posturas Municipais, e dividiu a cidade em “distritos”. À área central foi dada a condição de Primeiro Distrito. Estabeleceu ainda a Guarda Municipal e criou o cargo de Inspetor de Higiene Municipal, para ajudar no saneamento da cidade.

O período de Alfredo Augusto de Azevedo foi marcado por um bom relacionamento com o Conselho Municipal, constantemente enviando relatórios do andamento do município e discutindo obras a serem feitas na cidade. No entanto, a relação foi menos amigável com a presidência do Estado. Como seus antecessores, Alfredo reclamou da excessiva influência vinda do governo estadual: em novembro de 1895, Azevedo enviou um ofício questionando sobre a construção de um quartel da Brigada Militar sem o seu consentimento. Um mês depois, exonerou-se em caráter irrevogável.

A versão do intendente revoltado viria em 7 de janeiro de 1896, em um texto publicado pelo jornal A Federação sob o título “A Verdade”: afirmou ter abandonado o cargo pelas constantes interferências do governo do Rio Grande do Sul sobre a administração municipal, que o impossibilitavam de trabalhar e servir à causa pública.

Indignado, Azevedo largou não só a Intendência, mas a política como um todo. Foi trabalhar na Companhia Fiat Lux, responsável pela eletricidade em Porto Alegre.

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Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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