O perigo de ser mulher, no RS e no Brasil

O Rio Grande do Sul foi cenário de praticamente um de cada dez casos de feminicídio ocorridos no Brasil ao longo do ano passado. Em números totais, o RS foi o terceiro estado onde mulheres foram assassinadas por questões de gênero, com 117 ocorrências, atrás somente de Minas Gerais (156 casos) e São Paulo (136), que possuem populações bem maiores. Na taxa de mortes por 100 mil habitantes, o RS é o quarto no Brasil, mas o primeiro entre os com população superior a 10 milhões de habitantes – ou seja, um índice maior que SP, MG, BA e PR. O Estado só não é pior que Acre, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso.
Os números constam no 13º Anuário de Segurança Pública, divulgados ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Enquanto os casos de feminicídio no Brasil cresceram 4%, o índice deste crime em solo gaúcho avançou 40% na comparação com 2017, quando foram registrados 83. A estatística poderia ser ainda pior, porque aconteceram, ainda, 206 tentativas de feminicídios. Não contabilizados neste levantamento, o número de casos recuaram até o momento este ano.

Perfil da vítima – Considerando todo o Brasil, houve 1.206 vítimas de feminicídio em 2018. Em 88,8% destes casos, o autor do crime foi o companheiro ou o ex-companheiro da vítima. Ainda sobre a vítima: 61% eram negras e sete em cada dez delas tinham, no máximo, o Ensino Fundamental completo. Outro índice para se envergonhar é o total de ocorrências de lesão corporal dolosa: 263.067 casos. O que quer dizer que uma mulher foi agredida no Brasil a cada dois minutos.
Se os números de feminicídios assustam, os de estupros também são alarmantes. Foram, em todo o Brasil, 66.041 casos – recorde do levantamento. No Rio Grande do Sul, uma tímida melhora, com uma queda de 1,4% de 2017 para 2018: de 4.963 para 4.898. Pouco a se celebrar.
Os organizadores do estudo admitiram “um misto de déjà vu e perplexidade” com a conclusão do anuário, comparando-o com os dados de 2014: “Um contexto em que alguns dos números agregados da violência apresentam quedas consideráveis mas, paradoxalmente, pouco se sabe sobre as origens e razões desse movimento”, dizem. “Se queremos vencer o medo e a violência, precisamos consolidar repositórios de informações, bem como monitorar e analisar as principais agendas de problemas e soluções existentes.” O anuário pode ser lido neste link.


Você também precisa saber

Bancos – O governo do Estado colocou à venda ações ordinárias do Banrisul. Em valor ainda a ser definido, a operação pode render cerca de 2,2 bilhões de reais aos cofres do Piratini – dinheiro que deve ser utilizado para colocar em dia a folha de pagamento do funcionalismo. A negociação dos papéis está prevista para o dia 19 de setembro e apenas investidores profissionais poderão comprar. Mesmo com a nova negociação, a terceira em um ano e meio, o governo garante que manterá o controle do Banrisul.

Indústria – A produção industrial no Rio Grande do Sul voltou a registrar declínio, recuando 2,4% em julho em relação a junho. Em outras faixas de comparação, no entanto, os dados do IBGE são positivos: a produção foi 1,8% superior a julho de 2018 e 8,4% maior no acumulado dos últimos 12 meses. Houve aumento na fabricação de produtos de couro (18,1%), de veículos automotores, reboques e carrocerias (12,7%) e de móveis (9,4%) e forte queda na metalurgia (-14,0%), na fabricação de máquinas e equipamentos (-10,7%) e fabricação de produtos de borracha e plástico (-9,6%). As exportações da indústria também estão em queda: recuaram 2,7%, em relação a julho de 2018.

Previdência x subsídios à educação – A proposta de revisão da Reforma da Previdência que tramita no Senado pode ter impacto negativo sobre centenas de milhares de estudantes em todo o Brasil. O texto quer que escolas e universidades privadas, que atualmente são consideradas entidades filantrópicas e são isentas do recolhimento previdenciário patronal de 20%, passem a pagar a contribuição. Isto obrigaria estas instituições a suspender a sua contrapartida, que é oferecer bolsas de estudo para a população de baixa renda. Nos cálculos do Sindicato do Ensino Privado (Sinepe-RS), somente no Rio Grande do Sul existem 220 escolas e universidades filantrópicas que atendem a cerca de 100 mil alunos com bolsa total ou com desconto de 50% na mensalidade. De acordo com o sindicato, no RS existe um aluno bolsista para cada cinco alunos pagantes.

Outros links:

  • Presidente em exercício, Hamilton Mourão cumprirá agenda amanhã na Capital. E por ordem expressa dele, a imprensa não cobrirá o evento (🔒).
  • Depois da Procergs, agora são funcionários da Procempa que entraram de greve por tempo indeterminado.
  • Após tramitar por 13 anos, o projeto de lei que inclui doce de leite na merenda escolar no RS foi aprovado pela Assembleia Legislativa.
  • A nova tabela do IPTU de Porto Alegre foi sancionada ontem, com três vetos. Os novos valores começam a valer no ano que vem.
  • A Câmara de Vereadores de Sapiranga aprovou, em primeiro turno, a própria redução de 15 para 11 vereadores.
  • O Daer lançou editais para tentar reativar as rodoviárias de Nova Petrópolis e Lagoa Vermelha

Esportes

Chegou o dia. Dentro de mais algumas horas, a partir das 21h30, o Inter pisa no gramado sintético da Arena da Baixada para enfrentar o Athletico-PR no primeiro jogo da final da Copa do Brasil. Lembrando que não há mais o gol qualificado, e o campeão será conhecido na quarta que vem, no Beira-Rio.

Enquanto no lado vermelho o clima é de expectativa, no Grêmio o dia foi de avaliar as extensões das lesões. Enquanto Pedro Geromel virou dúvida para o jogo contra o Flamengo, pela Libertadores, Leonardo Gomes volta apenas no ano que vem. O lateral será submetido a uma cirurgia.


Agenda

  • Que tal aprender um pouco mais sobre Shakespeare durante o almoço?
  • Aliás, ainda pelo almoço, uma das mais reconhecidas pianistas brasileiras, Eudóxia Barros, se apresenta no Musical Évora.
  • A Assembleia Legislativa tem uma audiência pública para discutir a Situação das Casas de Acolhimento para Mulheres no RS às 14h.
  • Rola hoje a primeira edição do ciclo de debates Esquina, no Centro Cultural da UFRGS. O tema é mudanças climáticas, e na mesa estarão professores que pesquisam o assunto na universidade.
  • À noite, o projeto #4QuartaAumentada, de música instrumental, terá show do Picumã, no Gravador Pub.
  • No Porto Alegre em Cena, para hoje e quinta a nossa sugestão é a peça Os Palhaços de Tchékhov, que será no Teatro do Sesc.
  • Fora do Poa Em Cena, outra peça interessante é o encontro imaginário entre Fernando Pessoa e Florbela Espanca no Teatro de Arena.
  • Manuela D’Ávila e Duca Leindecker falam no Sarau Voador de hoje.

Você viu?

O site de notícias Sul21 lançou esta semana uma plataforma de podcasts, chamada Colmeia. O primeiro programa, que já está no ar, se chama Outra Economia. Produzido em conjunto com o Movimento Economia Pró-gente, o podcast aborda temas econômicos com a visão de esquerda, que é marca do Sul21. Na primeira edição o assunto é a relação entre tributação e desigualdade social. Até o dia 20 de setembro outros cinco podcasts devem ir ao ar, tratando de temas diversos como cultura, feminismo, relacionamentos e jornalismo.