O racismo continua em campo

A sombra do racismo voltou a atormentar o futebol do Rio Grande do Sul. Enquanto o meia Yony González comemorava o gol que selou a vitória do Fluminense sobre o Grêmio, na Arena, uma torcedora chamou o jogador de macaco. O fato, que não foi relatado pela arbitragem na súmula e tampouco ganhou destaque logo após o jogo, foi divulgado por um usuário do Twitter um dia depois da partida, mas ganhou repercussão horas depois, após o lateral do Fluminense Igor Julião publicá-lo na mesma rede social.

“Futebol não pode ser o lugar que racistas, xenofóbicos, misóginos e homofóbicos vomitarão seus absurdos e ficarão impunes”, cobrou Julião, cuja fama é de atleta politizado e identificado com causas progressistas. Horas depois, o atleta voltou ao Twitter para ressaltar que não havia feito acusações a ninguém em específico.

Mas o fato é que, novamente, o Grêmio se envolveu em uma polêmica envolvendo injúria racial. Único grande clube do Brasil que já foi efetivamente punido pelo crime, em 2014, o Tricolor manifestou-se ainda na noite de segunda. Garantiu que está apurando o caso “e de antemão manifesta seu inteiro repúdio a todos os tipos de injúria”.

O lamentável é que não se trata de um caso isolado no contexto do futebol. Na semana passada, o ex-árbitro Márcio Chagas publicou um depoimento sobre a situação. Em nível nacional, a página Observatório do Racismo, que monitora denúncias, afirma que já houve 13 incidentes neste ano no Brasil. E não estamos nem na metade de maio.

Não custa lembrar: racismo é crime inafiançável.


Você também precisa saber

Privatizações – Após a esperada aprovação do PEC 272/19 em segundo turno (desta vez por 39 votos a 13), desobrigando o governo do Estado a realizar um plebiscito para a venda de estatais, o Palácio Piratini deverá encaminhar ainda nesta semana projetos para ceder CEEE, CRM e Sulgás à iniciativa privada. Ao comentar a aprovação da proposta na Assembleia, o governador Eduardo Leite (PSDB) definiu a medida como “determinante” na busca pelo ajuste fiscal.

Imóveis – Em direção oposta ao cenário nacional, Porto Alegre registrou uma leve queda no preço médio dos imóveis, de acordo com o levantamento do FipeZap. Após crescer 0,02% em março, a média caiu 0,14% em abril, segundo a pesquisa. O valor médio do metro quadrado na Capital é de R$ 5.836. O bairro Vila Conceição segue o mais caro (R$ 10.673 o m²); o Rubem Berta (R$ 2.721), o mais barato.

IPTU – O bairro Pitinga, localizado entre a Restinga e a Lomba do Pinheiro, terá o maior número de propriedades isentas do pagamento do IPTU em Porto Alegre. Cerca de 99,5% dos proprietários não pagarão o imposto por terem seus imóveis avaliados em menos de R$ 60 mil. O valor médio do IPTU na região será de apenas R$ 0,88. No bairro, onde muitas vias não são asfaltadas, os moradores reclamam da pequena oferta de transporte coletivo e falta de água. “Por aqui, o pessoal não está falando de IPTU, não. Eu mesma nunca paguei. A grande maioria de quem mora aqui já não pagava por falta de condição financeira mesmo”, afirmou uma moradora entrevistada pela reportagem do Diário Gaúcho.

Crise na Ulbra I – A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) entrou na segunda-feira com pedido de recuperação judicial. A instituição de ensino com sede em Canoas tenta a renegociação R$ 2,4 bilhões em débitos – e isso é apenas uma parcela de uma dívida que soma R$ 8,2 bilhões. Em nota, a Associação Educacional Luterana do Brasil (Aelbra) diz ser afetada por situações decorrentes do endividamento, como bloqueio de recursos na Justiça, e também por atrasos no repasse de recursos do Financiamento Estudantil (Fies) por parte do governo federal.

Crise na Ulbra II – Apesar das dificuldades financeiras, não houve nenhuma alteração no calendário acadêmico da universidade. “Todas as disciplinas previstas continuam ofertadas. O calendário de aulas e demais atividades seguem normalmente. É uma crise financeira e não acadêmica”, afirmou o reitor Ricardo Willy Rieth em depoimento à colunista Giane Guerra. A Ulbra tem 25 mil alunos e 4 mil professores no Rio Grande do Sul.

Outros links:

  • A BR-448, a Rodovia do Parque, segue com trechos sem iluminação: já são quatro casos de furto de fios de cobre na via só neste ano.
  • Moradores de Farroupilha fizeram uma pescaria dentro de um buraco da ERS-122 como forma de protesto. Veja o vídeo.
  • Em Bento Gonçalves, sensores de estacionamento vão avisar ao motorista, via app, onde tem vagas de estacionamento disponíveis na área azul.
  • O valor da cesta básica subiu pela terceira vez em Porto Alegre e já está custando quase R$ 500.
  • O Hospital de Clínicas fará concurso para preencher cadastro reserva. As vagas são para níveis médio e superior.

Esportes

No apagar das luzes o Inter deixou escapar a vitória sobre o River Plate, mas a bem da verdade o empate em 2 a 2 em nada alterou a situação de ambas as equipes, que entraram em campo já classificadas para a Libertadores. Na Libertadores, aliás, é onde o Grêmio tenta assegurar uma vaga nas oitavas de final logo mais, contra a Universidad Católica, na Arena. Para isso, um empate já basta para a equipe de Renato Portaluppi, que prometeu que, desta vez, o Tricolor não dará mole

Pela Copa do Brasil, o Juventude eliminou o Vila Nova nos pênaltis e avançou às oitavas de final, onde enfrentará o Grêmio.


Agenda

  • Hoje tem um Tributo ao mito Bob Marley no Opinião.
  • Começa em Porto Alegre mais uma edição mostra de cultura negra R’Gongo, com oficinas e rodas de conversa sobre a herança africana.
  • Inaugura hoje uma exposição com obras de Danúbio Gonçalves no Margs.
  • A programação do Palco Giratório de quarta conta com as peças Chapeuzinho Vermelho, Vestido Queimado e Das Cinzas Coração.
  • No Instituto Ling, as psicanalistas Eneida Iankilevich e Raul Hartke ministram curso sobre a relação entre a obra de Shakespeare e Freud.

Você viu?

Personagem popular do bairro Bom Fim, o simpático Ildo Berté vai se lançar em uma iniciativa empreendedora. Garçom por 21 anos da Lancheria do Parque, na Osvaldo Aranha, Ildo decidiu abrir seu próprio negócio. A Lanchera do Ildo abrirá em breve na esquina das ruas João Telles e Henrique Dias, também no Bom Fim. No seu bar, ele promete seguir a fórmula de sucesso do antigo emprego: comida caseira, xis, suco em jarra e chopp. A identificação, aliás, já começa no nome. “Todo mundo coloca hoje ‘boteco do tal cara’, mas a gente tem uma linguagem aqui no Bom Fim e temos que trabalhar ela. Não pode deixar morrer essa cultura, faz parte do bairro isso”. Pra mais informações sobre a Lanchera do Ildo, acesse o GeraçãoE