Pressionado, Marchezan deve manter shoppings abertos em novo decreto restritivo

Soou o alerta de emergência em Porto Alegre. Ao perceber um rápido aumento exponencial do contingente de pacientes com Covid-19 em leitos de UTI – passou de 44 para 77 nos últimos dez dias – a Prefeitura, além de paralisar novas flexibilizações previstas para esta semana, aumentou as restrições, suspendendo atividades do comércio cujo faturamento é igual ou superior a 4,8 milhões de reais por ano, além de reduzir atividades de restaurantes e academias.  

As novas medidas entram em vigor amanhã. O decreto deve ser publicado nas próximas horas, após ajustes finais no texto – alguns feitos sob pressão de entidades empresariais e políticos da base de apoio – que vem sendo construído desde a sexta-feira passada. Uma dessas retificações foi a permissão de funcionamento de shoppings centers, desde que observada a regra estabelecida às lojas. Bares e restaurantes só poderão funcionar até as 22h; academias só poderão receber um aluno por vez.

De acordo com o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), a preocupação não ocorre em razão do número de internados em UTI, mas pela velocidade recente do crescimento. “Porto Alegre estabilizou os números por dois meses”, ressaltou ele. Contudo, nas contas do Executivo, a recente demanda, faria com que até o dia 30 deste mês estivessem ocupados todos os 174 leitos de UTI destinados a pessoas com o novo coronavírus. E a partir daí começa a impactar o sistema de saúde como um todo. 

“Não há superocupação de leitos, a questão é a velocidade de casos. Isso é mais importante que o número de leitos. Existem várias outras referências, outros números, que nos ajudam a ler o cenário, mas este é o principal”, afirmou Marchezan, em uma live na noite de ontem. “Nós estamos retornando do cenário do dia 20 de maio ao cenário do dia 5 de maio”, explicou ele, referindo-se aos decretos já publicados até aqui. O prefeito voltou a afirmar que não estão descartadas “outras decisões” restritivas.

Números – Ontem, Porto Alegre registrou o 53º óbito por Covid-19. Desde o início da pandemia, 2.122 moradores da Capital já se contaminaram com o novo coronavírus, dos quais 838 já receberam alta médica. Dos 1.217 casos ativos, além dos 77 que estão em tratamento intensivo, outros 100 estão em enfermarias de hospitais da Capital. 


O que mais você precisa saber

Bandeira vermelha – Não apenas Porto Alegre está em estado de atenção em razão do avanço recente do vírus. No Rio Grande do Sul, quatro macrorregiões do distanciamento controlado regrediram à bandeira vermelha, na atualização publicada no último sábado: Caxias do Sul, Santo Ângelo, Santa Maria e Uruguaiana. Essas áreas englobam 116 municípios, que, dentre outras medidas, devem fechar seus comércios não essenciais a partir de hoje. “Os indicadores dessas regiões apontam que há aumento de contágio e menor disponibilidade hospitalar para o atendimento. Não é motivo pra pânico, mas é um alerta de que nós precisamos reduzir essa velocidade de contágio”, justificou o governador Eduardo Leite (PSDB), que, ao longo da semana passada, havia indicado que algumas regiões poderiam ter bandeira vermelha.  

Sinais de rebelião – No entanto, de uma maneira geral, a piora no indicador foi recebida não como um alerta e sim com questionamentos, protestos e até a sinalização de descumprimento dos protocolos estabelecidos – dentre os quais o fechamento do comércio, conforme decidido por municípios da Fronteira Oeste e da Serra. Em Gramado, o fim de semana de feriadão foi marcado por ruas cheias de turistas, nem todos utilizando máscaras de proteção. Ali do lado, em Canela, houve até manifestação, reunindo cerca de 100 pessoas. Representantes das regiões devem pressionar o Piratini já a partir de hoje buscando a reversão da classificação. Lembrando que, a partir desta rodada, a bandeira vermelha terá duração mínima de duas semanas. 

Protesto antirracista na Capital – Porto Alegre teve ontem à tarde um ato do movimento Vida Negras Importam. A manifestação, coordenada via redes sociais por vários grupos da comunidade negra da Capital, começou na Redenção e seguiu, acompanhada por policiais, até o Largo Zumbi dos Palmares. Este post no Facebook, que traz a gravação do trajeto dos manifestantes, indica a presença de pelo menos mil pessoas com cartazes que traziam o nome de vítimas de racismo, além de faixas contra o presidente Jair Bolsonaro. Uma das organizadoras do protesto, Tamyres Filgueira denunciou as políticas do governo federal que vêm determinando o genocídio da população negra. Os grupos pretendem retomar a mobilização no próximo final de semana. Já no Parcão, um grupo de apoiadores do presidente protestaram contra o que chamam de “ditadura do STF” e pediram intervenção militar com Bolsonaro no poder. Em outras cidades do País, como São Paulo, os protestos contra e a favor do governo tiveram menos força do que os da semana passada. 



Com base no Cremers, juízes ignoram OMS e negam liberação de presos do grupo de risco

Neste final de semana, a revista digital Parêntese publicou uma reportagem sobre o parecer feito pelo Conselho Regional de Medicina do RS (Cremers) que, contrariando a OMS, sugere que presos estão mais protegidos da Covid-19 em cadeias do que fora delas. O documento tem sido usado na justiça para negar a liberação de presos do grupo do risco, e recebeu inúmeras críticas de advogados, juízes e especialistas em saúde pública. 

A matéria, que foi o conteúdo mais acessado do final de semana, pode ser lida neste link.


Outros links:

  • O Hospital São Lucas da PUCRS fecha hoje o setor materno-infantil, e os serviços migram para o Presidente Vargas. 
  • Com uma rotina adaptada à pandemia, a GM em Gravataí retoma a produção de carros nesta segunda-feira. 
  • Já a volta dos treinos coletivos na dupla Gre-Nal acabou adiada com o novo decreto da Capital. A medida deve atrasar ainda mais o retorno do Gauchão. 
  • Esta semana abrem inscrições em concursos para 29 vagas em prefeituras e instituições do Estado.
  • A Brigada Militar foi chamada para encerrar uma rave, ontem em Taquara. O evento contava com a participação de 200 pessoas. 
  • Também em Taquara, um observatório do município registrou a passagem de um meteoro fireball na madrugada de ontem. Foi o segundo do tipo em cerca de dois meses. 
  • Ah, e no último sábado, dia de Santo Antônio, teve até  benção no modelo drive-thru por conta da restrição de acesso às igrejas.


Dicas culturais (para enfrentar o isolamento)

Marisa Monte lançou o site interativo Cinephonia, repleto de materiais de arquivo da cantora e com uma canção inédita, intitulada Acontecimento.

O projeto Tem Preto no Sul, promovido pelo coletivo Stay Black, de Pelotas, e contemplado pelo Natura Musical, está selecionando músicos negros para uma residência artística.

Secretaria de Estado da Cultura celebra o mês de Orgulho LGBT com uma programação online voltada à visibilidade LGBT e ao combate à LGBTfobia.

Sesc São Paulo lançou a plataforma Sesc Digital, que exibe longas e documentários, de forma gratuita, com novos títulos sempre às quintas-feiras.

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Você viu?

Num país em que 14% da população se declara vegetariana, não é raro que haja cada vez mais restaurantes da categoria, nem que lugares reformulem o cardápio para oferecer opções sem carne. O improvável, contudo, é que uma churrascaria abdique de oferecer seu prato principal. Foi o que aconteceu com o Picanha’s, Grill, restaurante da Zona Norte da Capital que deixou de oferecer qualquer produto de origem animal depois que a família que gerencia o restaurante virou vegana. A mãe, que conversou com a coluna de Giane Guerra, de GaúchaZH, disse que, depois que a filha a convenceu a virar vegana, estava ficando “bem difícil continuar servindo carnes”. A decisão estava sendo planejada há um bom tempo, e muitos clientes já dizem nem sentir falta. O pai é o único que ainda come carnes. Mas, segundo mãe e filha, ele está se esforçando, e em breve vai passar para “o lado vegan da força”.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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