Reitor da UFPel defende o lockdown para brecar Covid-19

Abre e fecha é pior que o fechamento total, afirma reitor da UFPel 

Coordenador da maior pesquisa no mundo sobre a prevalência do novo coronavírus, o epidemiologista e reitor da UFPel, Pedro Hallal, tem defendido o fechamento total das atividades para derrubar a curva de infecção com menos impacto à economia. Hallal afirma que o “fecha, abre e fecha” é mais danoso do que fazer um lockdown. Em entrevista ao Jornal do Comércio, ele classificou como erro a retomada de atividades quando a curva ainda não está em queda, como fez a prefeitura de Porto Alegre, e sugere um fechamento rigoroso por 15 dias em todo o País.

Faz coro à tese do epidemiologista o empresário Flávio Augusto da Silva, fundador da WiseUp, rede de escolas de inglês que tem como sócio Carlos Wizard, que recentemente desistiu de assumir cargo no Ministério da Saúde. “O abre e fecha é pior do que ficar só fechado. Gasta dinheiro para abrir e também para fechar. Ao menos, o custo de ficar fechado é menor”, afirmou à colunista Marta Sfredo (🔒). 

Um dos modelos de ciclos de fechamento e abertura e que considera o número semanal de mortes ou os índices de ocupação hospitalar foi criado em março pelo Imperial College e é recomendado por especialistas como o médico Ricardo Parolin Schnekenberg como alternativa para salvar o máximo de vidas. A estratégia de revisar critérios e definir periodicamente o “abre e fecha” está em vigor em alguns lugares do Brasil, como no Rio Grande do Sul. Em Belo Horizonte, o protocolo que também prevê fechamento intermitente da atividades pode durar até 2021.

Schnekenberg destaca, entretanto, que a aplicação do modelo não é nada prática no Brasil porque não há uma política nacional de combate à pandemia. O médico brasileiro, que também é pesquisador em Oxford, ainda critica a lógica do “achatamento da curva” como foco da estratégia para enfrentar o coronavírus. Para ele, “a oferta de serviços de saúde, mesmo que ampliada, só seria suficiente caso todas as medidas de controle sanitário fossem implementadas em conjunto e mantidas por alguns meses”. O epidemiologista da USP Paulo Lotufo concorda: “Seria o mesmo que afrouxar a restrição ao tabagismo porque duplicaram-se os leitos de oncologia”.

Corrida por vacina – Em meio a isso, a esperança por uma vacina contra a Covid-19 cresce a cada dia. No sábado, o Governo Federal fechou parceria com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca para a produção e distribuição da vacina que já está sendo testada no país. Caso tenha eficácia comprovada, a União irá comprar até o ano que vem cerca de 100 milhões de doses. Desde o início da pandemia no país, 57.622 brasileiros já perderam a batalha para o novo coronavírus, sendo 559 no Rio Grande do Sul. De acordo com o Ministério da Saúde, até ontem, 1.344.143 pessoas se infectaram no país.


O que mais você precisa saber

Covid-19 avança no RS e já pressiona sistema de saúde – Na sexta-feira, passaram de quatro para nove as regiões com bandeira vermelha. O governo estadual recebeu pelo menos um pedido de recurso de cada uma delas, num total de 67 solicitações para a revisão da classificação de alto risco epidemiológico. Das nove regiões em laranja e das duas em amarelo não houve pedidos. O resultado das análises sai hoje e as novas bandeiras passam a valer a partir de amanhã. Quem decidiu não recorrer é a Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, mesmo reconhecendo o impacto econômico na medida. “Não vamos recorrer porque temos consciência do que está acontecendo. Vai ser duro para todo mundo, temos consciência disso”, afirmou a presidente da associação e prefeita de Mova Santa Rita, Margarete Ferretti (PT). Em um mês, as internações por Covid-19 em Porto Alegre triplicaram. O domingo terminou com 137 pessoas em leitos de UTI na Capital – eram 42 em 28 de maio. A velocidade também assusta Canoas. Em 72 horas, o número de internados com suspeita e confirmação de coronavírus mais que dobrou na cidade vizinha. “A previsão de uma situação ainda mais aguda, infelizmente, está se confirmando. A expansão da pandemia é muito grave”, reforçou o prefeito Luiz Carlos Busato (PTB). E como se a situação já não fosse complicada o suficiente, o RS enfrenta escassez do sedativo (🔒) utilizado para entubar pacientes.

Fraudes no auxílio-emergencial – Uma noiva com casamento marcado no Caribe, um arquiteto de renome em Veranópolis e uma nutricionista com passaporte carimbado na Europa. Esses são apenas três exemplos de pessoas que retiraram o auxílio-emergencial do Governo Federal no Rio Grande do Sul, conforme apurou uma reportagem da RBS TV – que chegou a estar sob censura judicial por 11 dias a pedido de Ana Paula Brocco, a noiva de Espumoso. A Polícia Federal já investiga o caso, cruzando dados. A apuração descobriu que também há benefícios aprovados em nome de mortos. Conforme o Tribunal de Contas da União, foram encontradas inconformidades em 620 mil pagamentos, que equivalem a 2% do total. Caso não sejam interrompidos, o prejuízo aos cofres públicos irá superar 1 bilhão de reais.

Canoas tem licença parental que respeita famílias LGBT+ – No mês do orgulho LGBT+, outros municípios brasileiros deveriam se inspirar em Canoas. Servidores da prefeitura ganharam um direito que contempla os mais diversos formatos de família. No dia 6 de abril, a cidade tornou-se uma das poucas no Brasil a assegurar uma licença parental independentemente de gênero, orientação sexual ou estado civil. No lugar da licença-maternidade de 180 dias, agora há a “licença parental de longa duração”. E a licença-paternidade passou a ser chamada de “licença parental de curta duração”, que ainda aumentou de cinco para 30 dias. A mudança passa a garantir segurança jurídica para que homens gays, mulheres lésbicas, casais com pessoas trans e pais solteiros ganhem afastamento remunerado quando se tornarem pais ou mães.

Outros links:


Cultura

Cura para o que não é doença?

O psicólogo Jean Ícaro, autor de “Cura Gay”. Foto: Reprodução/Editora Taverna

No Mês do Orgulho LGBTQI+, a Editora Taverna deu início à pré-venda do livro Cura Gay, fruto da dissertação de mestrado do psicólogo Jean Ícaro. A publicação investiga a história e a atualidade das terapias voltadas à mudança de orientação sexual. Ícaro entrevistou mais de 600 psicólogos de todo o país para investigar o que motiva os tratamentos de “conversão” da sexualidade de pessoas não heterossexuais, prática que é vedada pelo Conselho Federal de Psicologia.

Confira a entrevista com o autor no site do Roger Lerina.

Hoje

O segundo encontro virtual do Clube de Leitura do Instituto Ling debaterá, às 18h30, o romance Nêmesis, do escritor norte-americano Philip Roth, em aula ministrada pelo professor Pedro Gonzaga.

Os impactos da pandemia no cinema e nos festivais serão debatidos em live promovida pelo Sesc-RS, às 19h, com participação dos realizadores Jorge FurtadoMêmis Müller Pedro Guindani.

O Instituto Vladimir Herzog lançou a versão virtual do Acervo Vladimir Herzog, reunindo mais de 1.700 itens digitalizados sobre a trajetória do jornalista, assassinado em 1975 pela ditadura militar.Parceria dos músicos Matheu Correa e Tonho Crocco, a canção Funk Drama ganhou uma empolgada versão gravada em casa.


Você viu?

Da Salamanca do Jarau ao Negrinho do Pastoreio, como se formaram e se enraizaram as lendas no Rio Grande do Sul? Esta reportagem do Jornal do Comércio mergulha na construção – da oralidade aos livros – das histórias que ouvimos desde criança e que fazem parte da identidade gaúcha.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

A revista digital Parêntese é enviada todos os sábados aos assinantes premium do Matinal Jornalismo. 

Para receber a próxima edição, assine o Matinal. Assim você apoia o jornalismo de Porto Alegre e receba todos os nossos produtos.

Receba as newsletters do Matinal! De segunda a sexta, trazemos as principais notícias de Porto Alegre e RS. Na quinta, enviamos uma agenda cultural completa por Roger Lerina. No sábado sai a Parêntese, com reportagens, entrevistas e análises exclusivas.