RS chega aos 500 mortos por Covid-19

Rio Grande do Sul passa os 500 mortos por Covid-19

Longe das enfermarias e UTIs, a maior parte dos gaúchos vê o lado mais grave da pandemia só pelo noticiário. Ontem chegamos à marca dos 500 mortos por Covid-19 no Estado pelas contas da Secretaria Estadual da Saúde, cujos números estão defasados quando comparados com os boletins municipais. Na linha de frente, profissionais da saúde voltam ao apelo que parecia mais eficaz quando os mortos cabiam em dois algarismos: fique em casa. 

“Se a gente conseguir fazer isso hoje, pode ser possível desacelerar os contágios. Do contrário, entre o fim de junho e o início de julho, poderemos atingir o pico da curva e aí teremos de fazer escolhas”, afirma Thaís Butelli, intensivista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Para a médica, parte da população tem percepção “limitada” da gravidade da situação.

A adesão ao distanciamento social por boa parte dos gaúchos no início da pandemia ajudou a segurar a transmissão do vírus, mas o afrouxamento das restrições fez a população a “deixar isso de lado”, avalia o presidente da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV), Fernando Spilki. Ele cita países que adotaram bloqueio efetivo de todas as atividades por até três semanas e puderam retomar comércio e serviços em um período de 45 a 60 dias. Por aqui, já se passaram 90 dias da primeira morte registrada no RS, e a curva está em ascensão. Para Spilki, “infelizmente não tem dado certo fazer qualquer liberação”, destaca. O próprio Ministério da Saúde reconheceu que não há sinal de estabilização da pandemia no Brasil.

Mesmo diante da escalada de internações, houve protesto em frente ao Paço Municipal para a retomada de atividades. Para o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), “parte da sociedade e dos empresários não entendeu que a liberação só poderia continuar se cada um fizesse a sua parte”. A nota enviada ao colunista Paulo Germano justifica o recente retorno a normas mais restritivas de isolamento, como a proibição de transportar passageiros em pé nos coletivos.

Contudo, segundo usuários dos ônibus, faltam veículos. Na manhã de ontem, passageiros das três regiões da cidade reclamaram que os coletivos não paravam para pegá-los porque já estavam lotados. Falta também fiscalização. Estabelecimentos de atividades não essenciais na Região Metropolitana foram flagrados abertos sem permissão.

A conta não é do Interior – Levantamento de GaúchaZH aponta que o aumento de internações por coronavírus nas UTI de Porto Alegre não se deve aos doentes do Interior que buscam atendimento na Capital. Na segunda-feira, os pacientes de outras cidades representavam 54,3% das 103 internações por Covid-19 na Capital. A proporção está dentro do ritmo anterior à pandemia, que variava entre 50% e 60%.


O que mais você precisa saber

Negligência na saúde pode levar a rejeição de contas – A postura de prefeitos na área da saúde e suas ações de combate à pandemia (ou a falta de) serão consideradas nas contas e poderão levar até a inelegibilidade dos gestores. Essa foi uma mudança no regimento do Tribunal de Contas do Estado (TCE) – que se aplicará também ao Governo do Estado. A proposta de alteração partiu do procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo da Camino, e foi aprovada por unanimidade pelo pleno do TCE. Ela ocorre após embates judiciais entre prefeituras e o Piratini em razão de medidas mais severas de distanciamento social – e mesmo o descumprimento das normas impostas pela bandeira vermelha do distanciamento controlado. 

Flexibilização do Código de Trânsito – O projeto de lei que flexibiliza o Código de Trânsito Brasileiro, aprovado ontem na Câmara dos Deputados, segue para apreciação do Senado nos próximos dias. Lá, dois dos três senadores gaúchos já sinalizaram que o texto não passará ileso. À coluna de Carolina Bahia, Lasier Martins (Podemos) afirmou que irá apresentar correções a afrouxamentos como o aumento de cinco para dez anos no prazo para renovação da carteira de motorista. Paulo Paim (PT), por sua vez, disse que a bancada petista vai votar contra. Já o senador Luís Carlos Heinze (PP) declarou que não estudou a proposta ainda, mas adiantou que não pretende fazer com que o texto volte para a Câmara – o que indica que ele não deve propor mudanças. O projeto, considerado uma das prioridades do presidente Jair Bolsonaro, foi enviado ao Congresso Nacional em junho do ano passado. Este artigo traz 11 pontos alterados pelos parlamentares.

Jornalistas agredidos – Dois profissionais do jornal Em Questão, de Alegrete, foram agredidos por um policial militar na semana passada, em Rosário do Sul. A agressão, de acordo com o repórter Alex Stanrlei e o diretor Paulo de Tarso Pereira, ocorreu durante a produção de uma reportagem sobre roubo de gado – que pertenceria ao Exército. Os animais estavam em um caminhão militar, estacionado ao lado da Delegacia de Pronto Atendimento de Rosário. Uma oficial do Exército não teria permitido imagens e a partir daí iniciaram os desentendimentos e agressões – parte delas gravada em uma live de Stanrlei. Os dois jornalistas chegaram a receber voz de prisão por desacato à autoridade e resistência e tiveram contra si registrados três boletins de ocorrência. Por sua vez, os profissionais de imprensa também prestaram queixa por abuso de autoridade. Os dois jornalistas, que voltarão a prestar depoimento na segunda-feira, fizeram exame de corpo de delito, que apontou lesões. A Polícia Civil investiga o caso, que também será analisado pelo Comando Geral da Brigada Militar.

Outros links:

  • O Ministério da Agricultura decretou estado de emergência no RS e em SC devido ao risco da praga de gafanhotos. A portaria foi publicada nesta madrugada. Dependendo das condições climáticas e dos ventos, a massa de insetos deve chegar ao Estado entre hoje e amanhã.
  • O Senado aprovou ontem o novo marco regulatório do saneamento básico, que facilita a participação de empresas privadas na área. O texto segue à sanção presidencial. 
  • Uma banca do Mercado Público suspendeu as atividades depois de dois funcionários testarem positivo para Covid-19. Já foram executados três processos de desinfecção no local.
  • Ao lado do Mercado também teve caso da doença: a secretária de Planejamento e Gestão de Porto Alegre, Juliana Castro, testou positivo. A Prefeitura informou que irá testar servidores que tiveram contato com ela.
  • E ontem a Guarda Municipal levou dois homens à delegacia por estarem participando de uma aglomeração, provocada por um brechó na praça Otávio Rocha, no Centro Histórico.
  • A Secretaria de Saúde de São Leopoldo identificou um surto de coronavírus no Presídio Estadual do município. Dos 118 presos do regime semiaberto, 109 realizaram testes rápidos e 59 tiveram resultados positivos.
  • No ano passado, as exportações brasileiras de calçados cresceram 7,5% em reais (3,8 bilhões), no comparativo com 2018. O RS foi o estado com melhor desempenho no País.
  • Corsan estendeu, por mais um mês, a isenção da tarifa social aos usuários de baixa renda. Além de suspender, até 25 de julho, os cortes de fornecimento devido ao não pagamento da fatura.
  • O prefeito de Rio Pardo, Rafael Barros (PSDB), renunciou ao cargo na terça. Ele está preso desde final de maio por suspeita de desvios na área da saúde do município. Rosane Rocha (PTB) assumiu ontem.


Cultura

Às 16h, o escritor Eduardo Jardim, autor de Eu Sou Trezentos – Mário de Andrade, Vida e Obra, é o entrevistado da livreira Nanni Rios em bate-papo ao vivo da Livraria Baleia.

O músico Erick Endres participa da apresentação virtual do projeto Mistura Fina, às 18h30min. 

A artista e educadora baiana Arissana Pataxó é a convidada da quinta transmissão do programa de lives da Bienal 12, às 19h, em bate-papo com o curador educativo Igor Simões.


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Você viu?

Um grupo de médicos se uniu em uma plataforma digital para atender a distância pacientes que suspeitam ter contraído coronavírus. O Barracão Digital foi desenvolvido por uma equipe multidisciplinar e já conta com 18 médicos voluntários. Na prática, o paciente acessa uma sala virtual, onde, por meio do CEP, um médico da mesma região entra em contato com ele. A iniciativa funciona em mais de 40 bairros da Capital, como Auxiliadora, Bela Vista, Bom Fim, Menino Deus e Praia de Belas, e no município de Curumim, no Litoral Norte. O objetivo é que a plataforma, incubada pelo Instituto Fábrica, seja expandida para outras cidades. Médicos e pacientes podem se cadastrar no site do projeto.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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