Um em cada três municípios do RS tem bandeira vermelha

O que você precisa saber hoje

Cestas básicas são os principais gastos da prefeitura contra a Covid-19 – Dos 300 milhões de reais previstos para serem gastos no combate à pandemia no Estado, quase metade é da prefeitura de Porto Alegre, 146 milhões de reais. As outras duas prefeituras com as previsões de gastos mais elevadas são Gravataí e Novo Hamburgo. Na Capital, o registro mais alto refere-se à aquisição de cestas básicas, que chega a 125 milhões de reais. Estão contabilizados ainda investimentos de 2,6 milhões de reais na compra de máscaras e 850,5 mil reais em serviços de exames laboratoriais. As quantias estão disponíveis no sistema LicitaCon Cidadão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) e não necessariamente foram ou serão executadas, segundo explica o auditor do TCE-RS, Clauber Bridi. “Tudo vai depender do andamento da pandemia, não sabemos até que momento vai isso, então os valores tendem a crescer até porque algumas informações ainda não estão cadastradas”, afirmou. O TCE-RS contabiliza ainda 2,3 mil licitações no Estado, a maioria delas relacionada à aquisição de Equipamentos de Proteção Individual. A transparência das contratações emergenciais relacionadas à pandemia no último mês no Rio Grande do Sul foi classificada como “ótima” pela ONG Transparência Internacional.

Cenário nacional – Falando em gastos, o Ministério da Saúde executou apenas 29,3% dos 39,3 bilhões liberados pela União para combater a pandemia, em um desempenho abaixo de outros órgãos federais. Por meio de nota enviada ao Estadão, a pasta diz que grande parte das despesas não executadas é de compras diretas que serão pagas depois da entrega. O economista Felipe Salto, diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, destaca a dificuldade de transpor a burocracia da “máquina” na execução dos orçamentos públicos, especialmente em saúde, mas afirma que falta gestão no combate à crise sanitária por parte do governo Bolsonaro – o que tem colocado em xeque a fidelidade de eleitores.

Cai de nove para seis o número de regiões em bandeira vermelha – A bandeira vermelha está em vigor para 167 cidades de seis macrorregiões do Rio Grande do Sul desde a meia-noite. Pelo mapa inicial seriam nove áreas consideradas de alto risco, mas o Governo do Estado atendeu as considerações e reviu a classificação das regiões de Palmeira das Missões, Caxias do Sul e Erechim, que permanecem sob a bandeira laranja do Distanciamento Controlado nesta semana. Dos 67 recursos apresentados, o Piratini acatou o de três regiões e de 22 cidades. Alguns municípios já haviam sido beneficiados automaticamente por uma mudança recente nos protocolos do modelo. Alterações, essas, que foram defendidas pela coordenadora do Comitê de Dados, Leany Lemos, que comentou os ajustes recentes. “Mudar não é ceder à pressão. Existe um limite, que não vou saber dizer exatamente qual é, entre ceder a pressões que são ilegítimas ou até legítimas, mas que estão muito no limite, que é o diálogo”, afirmou ela, ao Jornal do Comércio. Empresários de diferentes setores, por sua vez, criticaram o abre e fecha causado pelas bandeiras.

Futebol mais longe da volta – Na live em que apresentou o resultado dos recursos do Distanciamento Controlado, o governador Eduardo Leite (PSDB) jogou um balde de água fria em que acreditava que o retorno do futebol estava próximo. “Não é prioridade”, enfatizou ele, quando questionado. “Por mais que sejam jogos com portões fechados, provocariam algum tipo de aglomeração em turmas e amigos que se reúnem para assistir. Vamos precisar ganhar mais tempo para a volta do futebol”, acrescentou. A Federação Gaúcha de Futebol planejava retomar o estadual no próximo dia 19. Mas devido ao avanço do coronavírus, agora deve ficar para o início de agosto. A entidade, porém, já trabalha com uma mudança de fórmula ou até o encerramento antecipado da competição. As alterações dependem de fatores diferentes, como aval, ou não, do governo para jogos, acordo com os clubes ou determinação da CBF para evitar conflitos de datas – previsto para começar em 9 de agosto.

Queda mais branda no emprego – Dados do Ministério da Economia divulgados ontem mostraram que o Rio Grande do Sul perdeu 32,1 mil vagas de emprego em maio. Foi o quarto pior desempenho do País, atrás de São Paulo (menos 103,9 mil postos), Rio de Janeiro (menos 35,9 mil) e Minas Gerais (menos 33,6 mil). Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), contudo, indicam que houve um abrandamento da crise no mercado de trabalho. Em abril, 76,8 mil postos formais foram fechados. O déficit acumulado, que é de 86,5 mil, representa 5,5% do total de vagas perdidas em todo o Brasil, que já é de 1,4 milhão. A crise no mercado de trabalho é muito mais profunda do que o pior número da série histórica até então, em 2016, quando a perda chegou a 448 mil vagas no período. Especialistas apontam que a retomada do emprego deve ocorrer no último trimestre, mas já há alguns consensos quanto ao impacto no longo prazo. Um deles é o agravamento do preconceito contra os mais velhos no trabalho, por estarem no grupo de risco.

Outros links:

  • Sem conseguir comprar ou receber medicamentos sedativos e anestésicos, hospitais de diferentes regiões do RS passaram a restringir cirurgias eletivas.
  • Após a primeira semana sob bandeira vermelha, o percentual de pessoas em casa deixou de diminuir e se estabilizou acima de 40% na Capital. Mesmo assim, ainda é intensa a circulação de pessoas no Centro.
  • Para desestimular o movimento, fiscalização. Desde a semana passada, 12 estabelecimentos foram autuados e quatro interditados pela Prefeitura.
  • Com o comércio proibido de atender o público presencialmente, a estratégia de sobrevivência é digital. Os comerciantes da Capital usam do e-commerce profissional ao WhatsApp.
  • Já quem depende do público, tem passado por maus bocados. A receita do turismo acompanhou o desempenho da aviação e caiu em torno de 90% em abril na comparação ao período pré-Covid.
  • A nuvem de gafanhotos que está na Argentina não registrou movimentação. A chuva e o frio na província de Corrientes fizeram com que o enxame não se deslocasse.
  • Avançou o acordo para a aprovação da PEC que adia as eleições municipais 2020. A proposta, que já passou pelo Senado, tramita na Câmara dos Deputados. Falando nisso, o partido Patriota anunciou a pré-candidatura do médico André Cecchini à Prefeitura de Porto Alegre.
  • Para mais além, o PDT já ventila de forma mais incisiva o nome do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, para a disputa do Piratini em 2022. Ele, por ora, descarta.
  • Ah, e se você é um dos cerca de 200 mil contribuintes gaúchos que ainda não enviaram a declaração do Imposto de Renda, vale lembrar: o prazo termina hoje. 


Foto: Omar Freitas/Parêntese

Clubes negros
Espaços de identidade e resistência lutam para se manter abertos e relevantes

A reportagem da revista Parêntese mostrou que, enquanto ativistas tomam as ruas de todo o mundo, os clubes sociais negros de Porto Alegre estão com dificuldade para atrair público hoje. Criados antes da abolição, foram espaços fundamentais para a promoção da cultura e valorização do povo negro. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional já reconheceu mais de 150 clubes sociais negros no Brasil, e um dos mais antigos, o Floresta Aurora, em funcionamento desde 1872, fica em Porto Alegre. Leia aqui o texto completo.


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Cultura

 “Disforia” traz à tona fantasmas do passado

Primeiro longa do realizador gaúcho Lucas Cassales, o suspense Disforia, cuja exibição nos cinemas foi interrompida em março devido à pandemia, está disponível nas plataformas digitais. Rodado em Porto Alegre, o filme mistura os gêneros terror, sobrenatural e policial.

Agenda

Os encontros entre ficção e realidade na literatura são o tema do Sarau Elétrico, às 21h, que tem como convidada a escritora Carol Bensimon e canja de Ná Ozzetti.

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Você viu?

O navegador argentino Juan Manuel Ballestro estava na Ilha portuguesa de Porto Santo quando os bloqueios na Espanha e na Argentina entraram em vigor. Com o objetivo de encontrar seus pais em meio a pandemia, ele carregou seu veleiro e seguiu em direção à Argentina. Após 85 dias de travessia, Ballestro chegou a Mar del Plata, sua cidade natal. Após testar negativo para Covid-19 ele desembarcou em terra firme e conseguiu encontrar seus pais, Nilda e Carlo, de 82 e 90 anos, respectivamente.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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