Volta às aulas segue distante

O que você precisa saber hoje

Volta às aulas deve ficar para agosto – A aceleração das internações por Covid-19 e a chegada do inverno empurraram a previsão de retorno das aulas presenciais no Estado para agosto. Na videoconferência de ontem, o governador Eduardo Leite (PSDB) lembrou que julho é um mês de alta concentração de pacientes com doenças respiratórias nos hospitais gaúchos. Leite também destacou que persiste o desafio de lidar com o ensino a distância, já que apenas metade dos estudantes da rede pública se cadastraram na plataforma “Google for Education”, usada para o EAD da rede estadual. Na semana que vem, a Secretaria Estadual da Educação vai abrir uma consulta pública para coletar sugestões de cerca de 3 mil entidades públicas e privadas sobre a melhor forma de retomar as atividades presenciais. Os defensores da volta podem ter ganhado mais um argumento nesta semana, quando foi divulgado um estudo francês que sugere que crianças transmitem pouco o novo coronavírus na escola. Os resultados vão ao encontro de pesquisas semelhantes, mas devem ser recebidos com cautela, já que a análise foi feita em um curto período de tempo e ainda precisa de validação científica.

Coronavírus no esgoto de Porto Alegre – Uma pesquisa inédita no Estado confirmou a presença de coronavírus no esgoto de Porto Alegre. As amostras são de duas Estações de Tratamento de Esgoto que, juntas, atendem a uma população de 700 mil pessoas. Foram cinco resultados positivos de um total de 29 coletas. Não é surpresa encontrar o vírus no esgoto, já que ele é eliminado pelas fezes de pacientes com ou sem sintomas. A importância do projeto desenvolvido desde maio pela Universidade Feevale e o Centro Estadual de Vigilância em Saúde é rastrear o SARS-CoV-2, o que pode ajudar a dimensionar a contaminação na população de uma cidade. O monitoramento deve ser expandido para outras regiões, como Serra, Planalto e Sul. “Com base nesses dados podemos fazer alertas precoces sobre circulação do vírus e determinados surtos que possam estar acontecendo em bairros e regiões”, comentou a coordenadora do projeto, Caroline Rigotto.

Covid-19 supera outras causas de morte no RS – Em três meses desde a primeira morte registrada por Covid-19 no Estado, a média de pessoas mortas por dia supera o índice de mortalidade nas estradas gaúchas em 2019. A doença também superou as 476 vítimas mortas por infarto nos meses de março, abril e maio. Dos primeiros 500 óbitos, 55,2% eram homens, mas as mulheres são maioria entre os infectados: 52,7% dos casos já registrados pela Secretaria Estadual da Saúde. As comorbidades, mais comuns entre os homens, ajudam a explicar a diferença. Até o final da tarde de ontem, a pasta não havia atualizado o número de mortos por uma instabilidade no sistema, mas o total de casos notificados passou dos 23 mil, após o terceiro dia seguido com mais de mil novos diagnósticos. Incomodado com as críticas sobre a falta de investimentos na rede hospitalar, o governador Eduardo Leite informou que, desde o início da pandemia no RS, o governo gaúcho ampliou em 70% a estrutura de leitos de UTI. Atualmente, a rede de saúde estadual conta com 1590 leitos e projeta chegar a 1,9 mil até o mês de agosto. Leite foi elogiado ontem pelo cônsul alemão Thomas Schmitt, que comparou o modelo de distanciamento controlado gaúcho com o da Alemanha. Schmitt recomendou ainda que o governador não ceda a interesses privados nas decisões sobre o combate ao coronavírus.

Mais de 350 mil gaúchos sem renda em maio – Dentre os 9,7 milhões de trabalhadores que acabaram sem renda durante o mês de maio em razão da pandemia, 356 mil estão no Rio Grande do Sul. O cálculo foi apresentado nesta semana pelo IBGE. O grupo pode ter recorrido ao auxílio emergencial para procurar uma forma de sustento. No mês passado, o número de desempregados no Rio Grande do Sul foi de 480 mil. E quem ficou trabalhando, atuou menos: maio também foi marcado pela redução na média dos rendimentos de quem se manteve no trabalho – de 2.494 reais para 2.053. Da mesma forma, foi percebida uma queda na carga horária trabalhada, de 40,6 horas para 30,4 horas. Segundo o IBGE, houve registro de auxílio do governo em praticamente um a cada quatro domicílios gaúchos – e, falando nisso, o presidente Jair Bolsonaro, sem detalhar números, comunicou ontem que o auxílio será prorrogado. A deterioração da situação econômica, afinal, ocorreu em nível nacional.  

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Pedágio para carros no centro por um ônibus mais acessível – A Prefeitura de Porto Alegre faz os últimos ajustes para encaminhar a votação do projeto que cria um pedágio para os carros no Centro da Capital. A proposta, substituta de uma que previa a cobrança de veículos emplacados em outras cidades para trafegar em Porto Alegre, tem como objetivo subsidiar o transporte público – e integra o pacote de projetos do Executivo para a área, apresentado no início do ano. Em evento ontem, o secretário extraordinário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Rodrigo Mata Tortoriello, destacou o ímpeto da prefeitura pelo projeto. No entanto, reconheceu que ainda não há certeza de aprovação na Câmara. Em razão da pandemia, a crise no sistema de transporte público se agravou, com atraso nos pagamentos dos rodoviários. Como não pôde aderir a programas federais de suspensão de contratos de trabalho e redução de jornada, a Carris deverá assumir linhas () que hoje estão administradas por concessionárias.

A defensora dos direitos LGBT no governo Bolsonaro – Mariana Reidel é hoje figura central na defesa defesa dos direitos LGBT no governo Bolsonaro. No governo desde 2016, foi convidada a assumir o cargo por indicação de movimentos sociais e mantida pelo atual governo. Professora e mestre em educação pela UFRGS, nasceu em Montenegro, e em Porto Alegre, passou pelo processo de naturalização e oficialização o gênero com o qual sempre se identificou. Em entrevista à Kelly Matos, relatou sua experiência no governo(): “Ainda encontramos o olhar do estranhamento para algumas pessoas, para aquelas pessoas que não estão dentro do ‘padrão’ que a sociedade exige. Eu, pessoalmente, nunca vivi essa dificuldade aqui no Ministério porque já há uma compreensão enquanto Secretaria, enquanto Ministério dos Direitos Humanos.”

Outros links:

  • A maioria dos deputados federais gaúchos é a favor do adiamento das eleições municipais. De acordo com a PEC aprovada no Senado, o pleito ficaria para os dias 15 e 29 de novembro.
  • O governo do Estado assinou um pré-contrato com a empresa Embarcadero. O objetivo é viabilizar a conclusão do projeto de revitalização de uma área ao lado da Usina do Gasômetro e prevê que a empresa explore a região por pelo menos quatro anos.
  • O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região voltou a interditar a JBS de Passo Fundo. A medida fica mantida até que a empresa comprove atendimento rigoroso das normas determinadas.
  • Sob bandeira vermelha, cidades do Litoral Norte optaram por medidas ainda mais restritivas. Capão da Canoa e Xangri-Lá vão fechar o comércio no fim de semana. Em Tramandaí, quem for à praia será multado.
  • Aliás, às 18h o Piratini publica a atualização das bandeiras do Plano de Distanciamento Controlado. As prefeituras poderão recorrer até domingo e o resultado das apelações sai na segunda.
  • As restrições ou flexibilizações da nova fase passam a ser aplicadas na terça. Nesta rodada, Porto Alegre, Canoas e Novo Hamburgo devem seguir na bandeira vermelha (). 
  • Outra doença que preocupa é a zika. O número de casos no RS passaram de sete para 20 em três semanas. Todos os infectados são moradores de Santa Maria e Três Passos.
  • Menos mal que, com o avanço da frente fria, a chuva mudou o rumo da nuvem de gafanhotos que se aproximava da Fronteira Oeste. A praga deve permanecer na Argentina.


Diálogos Matinais: Matinal é contemplado em programa do Google


Filipe Speck*

Há algumas semanas recebemos um e-mail que tinha toda pinta de spam, e que quase foi compulsoriamente para o lixo. O nome do remetente era Shawb, e o assunto da mensagem tinha um código com letras e números, numa combinação quase que ameaçadora. Abri porque ainda confio que há algoritmos que fazem bem seu trabalho de separar o que é importante do resto – e, se entrou no inbox do Gmail, dá-se uma chance. O e-mail começava assim: Thank you for applying to Google News Initiative’s Journalism Emergency Relief Fund. Nós estávamos esperando aquela mensagem, que trazia uma resposta do Google a um programa de incentivo a pequenas redações durante a crise, no qual estávamos inscritos.

Era notícia boa. Shawb, o remetente funcionário do Google, anunciou que o Grupo Matinal Jornalismo foi contemplado pelo programa de apoio financeiro da empresa. Fomos premiados depois de responder a um longo questionário sobre por que criamos o jornal, como estávamos cobrindo a pandemia e o que faríamos com os recursos do programa. Nossa aplicação reforçou o compromisso em fortalecer o jornalismo de Porto Alegre, tanto com as newsletters e reportagens, quanto com projetos como o Meu Livro, Minha Doação e o ZapMatinal. O Google entendeu que o esforço tem sido válido, e que merecíamos ganhar o incentivo para seguir em frente. É um investimento pequeno, mas representa um reconhecimento do trabalho que fizemos até agora.

Vocês, leitoras e leitores desta newsletter diária, são os primeiros a saber da notícia. Nada mais justo, porque é por causa de vocês que nós existimos, e é para vocês que este dinheiro será investido.
Diretor Geral do Grupo Matinal Jornalismo
filipe@matinaljornalismo.com.br


Junho de 2013, o mês que não terminou

A News #119 do Roger Lerina, enviada ontem aos assinantes premium do Matinal, trouxe uma entrevista com o ensaísta Francisco Bosco, codiretor ao lado do artista visual Raul Mourão do documentário O Mês que Não TerminouCom narração de Fernanda Torres, o longa investiga o emblemático mês de junho de 2013 no Brasil, reunindo análises de ativistas, cientistas políticos, filósofos, psicanalistas e economistas sobre os acontecimentos e desdobramentos dos protestos que inflamaram o país. O filme pode ser assistido na plataforma de streaming TamanduáTV.

Foto: Kromaki/Divulgação


Cultura

Hoje
Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos, da Trensurb, realiza bate-papo virtual sobre o legado de Mario Quintana, às 16h30, com a participação dos professores André MitidieriSérgio de Castro Pinto e Sergius Gonzaga

Às 19h, a Casa da Música Poa apresenta recital de Ricardo Bahamondez (piano) e Tácio Vieira (violoncelo), interpretando Chopin e Rachmaninoff

Festival Marquise Online começa às 21h, reunindo nomes como Bel_MedulaGabriela LeryLuciano LeãesMarcelo GrossMulamba e Negra Jaque.

Itaú Cultural inaugura o projeto Palco Virtual, também às 21h, com exibições de espetáculos como Viúvas – Performance sobre a Ausência, da companhia Ói Nóis Aqui Traveiz, que segue no ar até 10 de julho. 

 
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Você viu?

Um relâmpago que atingiu o Rio Grande do Sul foi reconhecido como o raio mais longo já documentado no planeta. A descarga ocorreu na primavera de 2018, mas o recorde foi oficializado pela Organização Meteorológica Mundial, uma das agências da Organização das Nações Unidas, apenas agora. Na ocasião, o Estado enfrentava fortes temporais que causaram inúmeros prejuízos em áreas urbanas e rurais. O raio percorreu uma extensão horizontal de 709 quilômetros, entre o Norte da Argentina, na região de San Vicente, até as proximidades de Tubarão, cruzando os municípios do Norte do Rio Grande do Sul e do Sul de Santa Catarina. Falando nisso, mais um meteoro iluminou o céu do Estado. Dessa vez, explodiu sobre a Lagoa dos Patos.

Este texto faz parte da edição 14 da revista Parêntese, publicada em 29 de fevereiro de 2020.

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